Lírios no Rio
Lírios que a corrente vai levando,
venho fazer um pedido: Quando
vires sentada a sombra hospitaleira
de uma grande e florida caneleira
aquela que, numa ânsia de desejo,
me embriagou, um dia, com seu beijo,
diz pra ela que, de seu encanto sou escravo,
hoje a minha existência se resume
em aspirar as pétalas de um cravo
nas quais busco o sabor do seu perfume.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
A estoria de Arawate - Homem Arvore
. O pajé Arawaté descende da Tribo Guanás, tribo que possui o inconversável idioma das pedras. Uma linguagem sutil, a que melhor abrange o silêncio das palavras. É uma língua adorável, mas leva muito tempo para se dizer alguma coisa com ela. Os Guanás não dizem nada com ela, a não ser que valha a pena gastar um longo tempo para dizer e para escutar. Apesar de ter um baixo volume para os ouvidos desatentos, a Língua Guanás continha um murmúrio, como se dentro de suas palavras corresse um rio entre pedras. Para os Guanás, a palavra nada mais é que um mero veículo para alcançarmos o reino mágico, onde a união entre o silêncio e o indizível que nos resgata da banalidade do cotidiano. O rumor das palavras é muito mais importante do que o sentido que elas tenham.
. Quando jovem Arawaté saiu de sua aldeia à procura de penas de Anapuru, uma ave mística e extremamente rara, mas indispensável para terminar seu cocar de poderosas virtudes mágicas. Mesmo dentre centenas de outras penas, uma única pena de Anapuru é capaz de transformar e potencializar o cocar, tal a sua eficácia. Levou consigo na sua busca apenas dois instrumentos mágicos: um abridor de amanhecer e uma fivela de prender silêncio.
Caminhou muito, teve que ir até a unha do dedão do pé do fim do mundo onde encontrou o Anapuru, a mais cara e rara de todas as aves. Enorme e formosa, tinha penas que exibiam quase todas as cores da floresta com grande perfeição e harmonia. Penas amarelas, vermelhas, azuis, pretas, verdes das mais variadas tonalidades salpicadas e espargidas por todo o corpo.
Para colher a pena foi fácil. Arawaté foi até o ninho e colheu muitas penas mágicas de diversas cores. Duas pretas e uma vermelha para o seu cocar de guerra, uma pena preta e duas amarelas para o seu cocar de sonhar... Uma das penas Arawaté separou especialmente para a confecção de uma flecha encantada. Ela sempre retorna às mãos, manchada de sangue do inimigo. Mas se atirada quando a vida do arqueiro não correr grande perigo, a flecha haverá de se voltar contra ele.
. Quando jovem Arawaté saiu de sua aldeia à procura de penas de Anapuru, uma ave mística e extremamente rara, mas indispensável para terminar seu cocar de poderosas virtudes mágicas. Mesmo dentre centenas de outras penas, uma única pena de Anapuru é capaz de transformar e potencializar o cocar, tal a sua eficácia. Levou consigo na sua busca apenas dois instrumentos mágicos: um abridor de amanhecer e uma fivela de prender silêncio.
Caminhou muito, teve que ir até a unha do dedão do pé do fim do mundo onde encontrou o Anapuru, a mais cara e rara de todas as aves. Enorme e formosa, tinha penas que exibiam quase todas as cores da floresta com grande perfeição e harmonia. Penas amarelas, vermelhas, azuis, pretas, verdes das mais variadas tonalidades salpicadas e espargidas por todo o corpo.
Para colher a pena foi fácil. Arawaté foi até o ninho e colheu muitas penas mágicas de diversas cores. Duas pretas e uma vermelha para o seu cocar de guerra, uma pena preta e duas amarelas para o seu cocar de sonhar... Uma das penas Arawaté separou especialmente para a confecção de uma flecha encantada. Ela sempre retorna às mãos, manchada de sangue do inimigo. Mas se atirada quando a vida do arqueiro não correr grande perigo, a flecha haverá de se voltar contra ele.
. Ele montou um cocar todo verde para celebrar a alegria de sua busca e, apesar de ser uma noite extremamente escura onde o bacurau feridava o silêncio e as estrelas repousavam como flores de luz no lago profundo do céu, Arawaté pegou seu caminho e feliz retornou para sua aldeia.
. Na verdade, a Noite desempenha um papel revelador. Somente no escuro se vê o que a luz do dia oculta. Exausto e com uma estranha sensação de sufocamento que tomou conta dele, como se o ar fosse muito escasso e rarefeito, e diante de um milenar Cedro, Arawaté parou para descansar.
. As árvores são ricas em um conhecimento próprio. Têm poderes de outorgar sonhos visionários ou proféticos. Algumas árvores dão acesso ao mundo do passado, árvores que guardam na alma secretamente inscritas todas as lembranças memoriais de Gaia. A árvore conjuga em si as potências da Terra, do ambiente, do céu. Apesar de cada árvore ter sua personalidade única e própria, elas têm uma característica comum: delas emana muito amor. A visão do mundo mágico da Natureza é um alimento para a alma e existem árvores que são verdadeiros centros destiladores de energia. A contemplação de uma árvore permite ao observador se transformar interiormente. Não há maior modificador de consciência que a observação das forças mágicas da Natureza. Os atos humanos aparentemente grandiosos e magníficos se revelam estarrecedoramente insignificante na perspectiva dos vegetais e da Eternidade.
. E o que falar sobre o Cedro de vasto tronco cinza e flores amarelas que já presenciou o alvorecer e o crepúsculo de mais de dez mil primaveras? Carregados de flores que funcionam como receptores de atividade celeste, bem intensa nesta noite sem Lua, os seres vegetais são capazes de perceber e reagir ao que acontece em seu ambiente a um nível de sofisticação que ultrapassa em muito a sensibilidade humana.
. Antes de dormir, Arawaté cobriu o corpo com um musgo que cobria as raízes daquela árvore anciã, a fim de se proteger dos mosquitos e muriçocas que infestavam a noite quente e úmida da mata. Ingenuamente, sem reconhecer esta antiga tradição ancestral das árvores, que cobrir o rosto e o corpo com o musgo das raízes é sinal de reconhecimento e amizade. O Cedro manifestou sua satisfação fazendo vibrar suas folhas, e suas flores se abriram como se uma primavera inteira florescesse num segundo, exalando mais ainda o seu aroma. Seu odor foi tão profundo que levou o espírito de Arawaté numa exaltação perturbadora. Uma curiosa sensação de bem-estar que penetrou Arawaté com sua carícia. É na Terra que dormem os oráculos. Das brumas surgiu Ê-vê, um senhor idoso vestido com alguma coisa semelhante a uma casca de árvore ou se aquilo era seu couro é difícil de dizer, e com um pássaro bravio no ombro. Quando Ê-vê apareceu, as árvores ergueram seus galhos, e todas as folhas estremeceram e farfalharam. Ê-vê murmurou com a sua voz profunda como um instrumento de sopro muito grave para Arawaté:
. -Em verdade a Terra é a Grande Deusa e a Grande Prostituta. Ela se entrega a todos, mas ninguém a possui jamais. Eu sou Ê-vê, o espírito das árvores, cavalgo o dragão que vive no fundo da Terra. Aqueço e alimento o fogo que faz brotar a vida do chão. Imperecível é o espírito da profundeza, como o seio profundo da maturidade. Céus e Terra radicam no seio da mãe, são a origem de todos os vivos, que espontaneamente brotam da Vida. Faço-me crer pobre e dura, cruel e distante, possessiva e voraz, mas os que se entregam a mim sem reservas, com todo amor, dou meu leite fluídico mesclado de raios lunares, estrelares e solares. Respira-me enquanto exalo meu fôlego, pois ele é habitado por forças de um poder inimaginável. Concedo inspiração, conhecimentos e oráculos, pois na seiva das árvores circula impregnada com as vibrações dos planetas e das estrelas. Em seu tronco está escrito o devir celeste. As árvores são antenas de Gaia e as flores os seus olhos. As árvores tudo realizam e nada consideram seu. Tudo fazem e não se apegam a sua obra. Não se prendem aos frutos de sua atividade. Terminam as suas obras e estão sempre no princípio e por isto suas obras prosperam.
. A sensação que Arawaté teve ao ver os olhos de Ê-vê era como se houvesse um oceano atrás deles, cheios de eras de memórias e de um pensamento constante, longo e lento como as ondas; mas, na superfície, faiscava o Presente como o sol tremeluzindo na face de um lago prateado, ou nas folhas externas de uma imensa árvore. Ê-vê era um Deus que não exigia adoração e não punia ninguém; ele apenas propunha e lembrava que existir é uma graça infinita, e que a Morte, longe de ser temida, é a continuação natural da felicidade de viver.
. - Posso ver e ouvir, cheirar e sentir muita coisa ainda. Onde eu fico, olho ao redor, nas manhãs agradáveis, e penso no sol, e no Campo Cheiroso além da floresta, e nos gaviões e nas nuvens, e no desabrochar do mundo. O que está acontecendo? O homem branco – prosseguiu Ê-vê – já não me honra mais. Quantas árvores derrubadas e queimadas pela estupidez humana. Algumas eles apenas cortam e deixam apodrecer. Ele me corrompe, me corrói, me saqueia e me abandona. O homem se tornou meu parasita. Há restos de tocos e queimadas onde já existiram bosques cantantes. Com ele já não posso me comunicar como faço com você, Arawaté. A sabedoria milenar dos vegetais está situada no infinito de nós mesmos.
. Dito isso e antes de se esvaecer por completo deixando Arawaté completamente embriagado por suas palavras, Ê-vê lhe serviu o néctar da imortalidade, uma bebida que manterá Arawaté verde e crescendo por um longo, longo tempo, oferecendo preciosidades e toda espécie de ilusões e revelações. Depois Ê-vê transmitiu os caminhos para Arawaté resgatar este conhecimento; e, a partir desse momento, surgiram às sessões xamânicas que nos acompanham desde então, nos auxiliando no resgate dessa sabedoria milenar dos vegetais.
. A partir deste dia, a vida de Arawaté se transformou inteiramente. Sua cama era coberta por uma grossa camada de grama seca e samambaias. Era macia e quente e tinha um aroma delicado. Ele viveu por muito, mas muito tempo mesmo, comendo plantas e ervas-daninhas da floresta, e só comia as frutas que as árvores deixavam cair em seu caminho. Passava os dias meditando e fazendo amizade com todos os animais, aves e peixes do rio. Os menos interessados em si próprios são os melhores para interagir com os outros seres. Tinha como habilidade menor saber ler as estrelas.
. Certa feita um passarinho pediu para Arawaté ser a sua árvore. Arawaté aceitou feliz e honrado seu dever de árvore. Nestes dias Arawaté aprendeu de Sol, de Céu e de Lua mais do que em qualquer escola. Aprendeu com a Natureza o perfume de Deus. Arawaté se envaidecia quando era a árvore escolhida para o entardecer dos pássaros. Sob o efeito dos fascínios dos gorjeios dos pássaros, as árvores deliram. As árvores sabem que quando o pássaro está enamorado ele gorjeia. No gorjeio do pássaro inclui a sedução. As flores dessas árvores nascerão mais perfumadas. Estas árvores são provedoras de poesia como as aves e os ipês floridos na floresta. Arawaté agradeceu aos pássaros aquele “estar” árvore porque ele fez amizade com muitas borboletas.
. Um dia, enquanto Arawaté estava completamente absorvido pelo orvalho da manhã, um caçador o confundiu com uma caça e o surpreendeu flechando o seu braço. Com o olhar arregalado de espanto e deleite, Arawaté viu que, ao invés de correr sangue do seu braço, jorrava seiva. Embora não percebesse, quando ele dançava, sua dança contagiava a todos com sua energia e vigor e todos dançavam com Arawaté: os ventos, as nuvens, as ondas. Nada nem ninguém conseguia resistir a sua dança. Todos os animais e plantas, e até mesmo as folhas caídas no chão, embarcavam no seu ritmo. Arawaté sabia o nome de todos os ventos e conhecia todos os assobios de chamar passarinhos. A maioria das vezes ele era maleável e delicado como as folhas e flores, porém também sabia ser duro como as velhas raízes, quando o perturbavam. Ele nos legou este conhecimento da sabedoria ancestral do vegetal. Antes de Arawaté, as árvores estavam adormecidas, só sussurravam entre si. Arawaté começou tudo, despertando as árvores e ensinando-as a falar Guanês e aprendendo sua fala-de-árvore, compuseram várias músicas em conjunto, Arawaté e as árvores, numa longa cadeia dourada contínua de sons musicais.
. - Nada existe no mundo mais belo que a flor, nem mais essencial que uma planta – dizia sempre Arawaté – sei o nome original que recebeu cada planta quando a casca da Terra se abriu, oferecendo-se ao Céu. Tenho o calor delas todas correndo no meu sangue. A verdadeira matriz da vida humana é a vegetação que cobre a Terra. Do berço à sepultura, recorremos aos vegetais para comer, vestir, morar, ter energia, fibras, cordas, instrumentos musicais... As flores nos acompanham do nascimento ao casamento e até depois da morte. Percebi que as árvores são mais competentes em aurora do que os homens. Quem vaga pode conhecer caminhos, mas quem observa as estrelas pode vir a conhecer as direções, e digo ainda: é mais feliz quem descobre o que não presta do que quem descobre ouro. O homem realizado não tem desejos de dentro, nem exigências de fora. É prestativo em se dar e sincero em falar, suave no conduzir e poderoso no agir. Age com serenidade por isso é incontaminável. Devo agora viver sozinho na floresta. Assim, nem a alegria, nem a tristeza permanecerão em mim, nem o medo ousará ficar em minha presença. As árvores morrem eretas.
. Arawaté visitava o futuro das palavras, conhece instantaneamente o passado e o futuro de toda a árvore que vê, contava histórias de abelhas e flores, do jeito de ser das árvores e das estranhas criaturas da floresta. Freqüentemente sua voz se transformava numa canção, e as sementes se multiplicavam em suas mãos; dizia que era muito fácil receber o ensinamento das árvores. Era só contemplar o Universo com alma de criança. As crianças podem comandar os Deuses. Somente uma criança que vive dentro de nós é quem tem a chave que nos permitirá abrir a caverna onde dormem os tesouros de nossa alma. Cada espaço, cada lugar, cada árvore, pedra ou elemento possui sua caverna secreta, plena de conhecimentos. Basta se pôr em harmonia com eles e passar a ver. O mais árduo é acreditar que isto seja possível, isso é o mais difícil.
. A Natureza é o berço da alma e é só com o convívio com Ela, reflexo da imaginação divina, é que alguém pode se transformar interior e exteriormente. O Ego é o pior inimigo do Eu, mas o Eu é o melhor amigo do Ego. É ao sopro do Vento, ao correr das Chuvas, a mordência do Sol, ao mistério das Noites, ao sabor da Lua que se passa a queimar os venenos dos quais o Ego é o principal recipiente e esconderijo. O Ego é um péssimo senhor, mas é um ótimo servidor.
. Na verdade, a Noite desempenha um papel revelador. Somente no escuro se vê o que a luz do dia oculta. Exausto e com uma estranha sensação de sufocamento que tomou conta dele, como se o ar fosse muito escasso e rarefeito, e diante de um milenar Cedro, Arawaté parou para descansar.
. As árvores são ricas em um conhecimento próprio. Têm poderes de outorgar sonhos visionários ou proféticos. Algumas árvores dão acesso ao mundo do passado, árvores que guardam na alma secretamente inscritas todas as lembranças memoriais de Gaia. A árvore conjuga em si as potências da Terra, do ambiente, do céu. Apesar de cada árvore ter sua personalidade única e própria, elas têm uma característica comum: delas emana muito amor. A visão do mundo mágico da Natureza é um alimento para a alma e existem árvores que são verdadeiros centros destiladores de energia. A contemplação de uma árvore permite ao observador se transformar interiormente. Não há maior modificador de consciência que a observação das forças mágicas da Natureza. Os atos humanos aparentemente grandiosos e magníficos se revelam estarrecedoramente insignificante na perspectiva dos vegetais e da Eternidade.
. E o que falar sobre o Cedro de vasto tronco cinza e flores amarelas que já presenciou o alvorecer e o crepúsculo de mais de dez mil primaveras? Carregados de flores que funcionam como receptores de atividade celeste, bem intensa nesta noite sem Lua, os seres vegetais são capazes de perceber e reagir ao que acontece em seu ambiente a um nível de sofisticação que ultrapassa em muito a sensibilidade humana.
. Antes de dormir, Arawaté cobriu o corpo com um musgo que cobria as raízes daquela árvore anciã, a fim de se proteger dos mosquitos e muriçocas que infestavam a noite quente e úmida da mata. Ingenuamente, sem reconhecer esta antiga tradição ancestral das árvores, que cobrir o rosto e o corpo com o musgo das raízes é sinal de reconhecimento e amizade. O Cedro manifestou sua satisfação fazendo vibrar suas folhas, e suas flores se abriram como se uma primavera inteira florescesse num segundo, exalando mais ainda o seu aroma. Seu odor foi tão profundo que levou o espírito de Arawaté numa exaltação perturbadora. Uma curiosa sensação de bem-estar que penetrou Arawaté com sua carícia. É na Terra que dormem os oráculos. Das brumas surgiu Ê-vê, um senhor idoso vestido com alguma coisa semelhante a uma casca de árvore ou se aquilo era seu couro é difícil de dizer, e com um pássaro bravio no ombro. Quando Ê-vê apareceu, as árvores ergueram seus galhos, e todas as folhas estremeceram e farfalharam. Ê-vê murmurou com a sua voz profunda como um instrumento de sopro muito grave para Arawaté:
. -Em verdade a Terra é a Grande Deusa e a Grande Prostituta. Ela se entrega a todos, mas ninguém a possui jamais. Eu sou Ê-vê, o espírito das árvores, cavalgo o dragão que vive no fundo da Terra. Aqueço e alimento o fogo que faz brotar a vida do chão. Imperecível é o espírito da profundeza, como o seio profundo da maturidade. Céus e Terra radicam no seio da mãe, são a origem de todos os vivos, que espontaneamente brotam da Vida. Faço-me crer pobre e dura, cruel e distante, possessiva e voraz, mas os que se entregam a mim sem reservas, com todo amor, dou meu leite fluídico mesclado de raios lunares, estrelares e solares. Respira-me enquanto exalo meu fôlego, pois ele é habitado por forças de um poder inimaginável. Concedo inspiração, conhecimentos e oráculos, pois na seiva das árvores circula impregnada com as vibrações dos planetas e das estrelas. Em seu tronco está escrito o devir celeste. As árvores são antenas de Gaia e as flores os seus olhos. As árvores tudo realizam e nada consideram seu. Tudo fazem e não se apegam a sua obra. Não se prendem aos frutos de sua atividade. Terminam as suas obras e estão sempre no princípio e por isto suas obras prosperam.
. A sensação que Arawaté teve ao ver os olhos de Ê-vê era como se houvesse um oceano atrás deles, cheios de eras de memórias e de um pensamento constante, longo e lento como as ondas; mas, na superfície, faiscava o Presente como o sol tremeluzindo na face de um lago prateado, ou nas folhas externas de uma imensa árvore. Ê-vê era um Deus que não exigia adoração e não punia ninguém; ele apenas propunha e lembrava que existir é uma graça infinita, e que a Morte, longe de ser temida, é a continuação natural da felicidade de viver.
. - Posso ver e ouvir, cheirar e sentir muita coisa ainda. Onde eu fico, olho ao redor, nas manhãs agradáveis, e penso no sol, e no Campo Cheiroso além da floresta, e nos gaviões e nas nuvens, e no desabrochar do mundo. O que está acontecendo? O homem branco – prosseguiu Ê-vê – já não me honra mais. Quantas árvores derrubadas e queimadas pela estupidez humana. Algumas eles apenas cortam e deixam apodrecer. Ele me corrompe, me corrói, me saqueia e me abandona. O homem se tornou meu parasita. Há restos de tocos e queimadas onde já existiram bosques cantantes. Com ele já não posso me comunicar como faço com você, Arawaté. A sabedoria milenar dos vegetais está situada no infinito de nós mesmos.
. Dito isso e antes de se esvaecer por completo deixando Arawaté completamente embriagado por suas palavras, Ê-vê lhe serviu o néctar da imortalidade, uma bebida que manterá Arawaté verde e crescendo por um longo, longo tempo, oferecendo preciosidades e toda espécie de ilusões e revelações. Depois Ê-vê transmitiu os caminhos para Arawaté resgatar este conhecimento; e, a partir desse momento, surgiram às sessões xamânicas que nos acompanham desde então, nos auxiliando no resgate dessa sabedoria milenar dos vegetais.
. A partir deste dia, a vida de Arawaté se transformou inteiramente. Sua cama era coberta por uma grossa camada de grama seca e samambaias. Era macia e quente e tinha um aroma delicado. Ele viveu por muito, mas muito tempo mesmo, comendo plantas e ervas-daninhas da floresta, e só comia as frutas que as árvores deixavam cair em seu caminho. Passava os dias meditando e fazendo amizade com todos os animais, aves e peixes do rio. Os menos interessados em si próprios são os melhores para interagir com os outros seres. Tinha como habilidade menor saber ler as estrelas.
. Certa feita um passarinho pediu para Arawaté ser a sua árvore. Arawaté aceitou feliz e honrado seu dever de árvore. Nestes dias Arawaté aprendeu de Sol, de Céu e de Lua mais do que em qualquer escola. Aprendeu com a Natureza o perfume de Deus. Arawaté se envaidecia quando era a árvore escolhida para o entardecer dos pássaros. Sob o efeito dos fascínios dos gorjeios dos pássaros, as árvores deliram. As árvores sabem que quando o pássaro está enamorado ele gorjeia. No gorjeio do pássaro inclui a sedução. As flores dessas árvores nascerão mais perfumadas. Estas árvores são provedoras de poesia como as aves e os ipês floridos na floresta. Arawaté agradeceu aos pássaros aquele “estar” árvore porque ele fez amizade com muitas borboletas.
. Um dia, enquanto Arawaté estava completamente absorvido pelo orvalho da manhã, um caçador o confundiu com uma caça e o surpreendeu flechando o seu braço. Com o olhar arregalado de espanto e deleite, Arawaté viu que, ao invés de correr sangue do seu braço, jorrava seiva. Embora não percebesse, quando ele dançava, sua dança contagiava a todos com sua energia e vigor e todos dançavam com Arawaté: os ventos, as nuvens, as ondas. Nada nem ninguém conseguia resistir a sua dança. Todos os animais e plantas, e até mesmo as folhas caídas no chão, embarcavam no seu ritmo. Arawaté sabia o nome de todos os ventos e conhecia todos os assobios de chamar passarinhos. A maioria das vezes ele era maleável e delicado como as folhas e flores, porém também sabia ser duro como as velhas raízes, quando o perturbavam. Ele nos legou este conhecimento da sabedoria ancestral do vegetal. Antes de Arawaté, as árvores estavam adormecidas, só sussurravam entre si. Arawaté começou tudo, despertando as árvores e ensinando-as a falar Guanês e aprendendo sua fala-de-árvore, compuseram várias músicas em conjunto, Arawaté e as árvores, numa longa cadeia dourada contínua de sons musicais.
. - Nada existe no mundo mais belo que a flor, nem mais essencial que uma planta – dizia sempre Arawaté – sei o nome original que recebeu cada planta quando a casca da Terra se abriu, oferecendo-se ao Céu. Tenho o calor delas todas correndo no meu sangue. A verdadeira matriz da vida humana é a vegetação que cobre a Terra. Do berço à sepultura, recorremos aos vegetais para comer, vestir, morar, ter energia, fibras, cordas, instrumentos musicais... As flores nos acompanham do nascimento ao casamento e até depois da morte. Percebi que as árvores são mais competentes em aurora do que os homens. Quem vaga pode conhecer caminhos, mas quem observa as estrelas pode vir a conhecer as direções, e digo ainda: é mais feliz quem descobre o que não presta do que quem descobre ouro. O homem realizado não tem desejos de dentro, nem exigências de fora. É prestativo em se dar e sincero em falar, suave no conduzir e poderoso no agir. Age com serenidade por isso é incontaminável. Devo agora viver sozinho na floresta. Assim, nem a alegria, nem a tristeza permanecerão em mim, nem o medo ousará ficar em minha presença. As árvores morrem eretas.
. Arawaté visitava o futuro das palavras, conhece instantaneamente o passado e o futuro de toda a árvore que vê, contava histórias de abelhas e flores, do jeito de ser das árvores e das estranhas criaturas da floresta. Freqüentemente sua voz se transformava numa canção, e as sementes se multiplicavam em suas mãos; dizia que era muito fácil receber o ensinamento das árvores. Era só contemplar o Universo com alma de criança. As crianças podem comandar os Deuses. Somente uma criança que vive dentro de nós é quem tem a chave que nos permitirá abrir a caverna onde dormem os tesouros de nossa alma. Cada espaço, cada lugar, cada árvore, pedra ou elemento possui sua caverna secreta, plena de conhecimentos. Basta se pôr em harmonia com eles e passar a ver. O mais árduo é acreditar que isto seja possível, isso é o mais difícil.
. A Natureza é o berço da alma e é só com o convívio com Ela, reflexo da imaginação divina, é que alguém pode se transformar interior e exteriormente. O Ego é o pior inimigo do Eu, mas o Eu é o melhor amigo do Ego. É ao sopro do Vento, ao correr das Chuvas, a mordência do Sol, ao mistério das Noites, ao sabor da Lua que se passa a queimar os venenos dos quais o Ego é o principal recipiente e esconderijo. O Ego é um péssimo senhor, mas é um ótimo servidor.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Um Poema Chines
Sanuma en espanol
Y como yo habia prometido, Sanuma en castellano!
Aprecien muchachos y muchachas!
Aloha!
Leo Jara
Aprecien muchachos y muchachas!
Aloha!
Leo Jara
Sanumá, La Flor del Sueño
En un reino donde las abejas uruçús amarillas cargadas de néctar reposaban sobre las flores en todas partes, nadie jamás vio una flor tan linda y perfumada como Sanumá, también conocida como Flor del Sueño. Era bella y bondadosa como un árbol gigante que abre su capa de hojas delicadas y ofrece su sombra y frutos adulzados a todos. Era una india cuya belleza hacía que las otras mujeres pareciesen vulgares, avergonzando la vanidad de todas.
A pesar de sus encantos, Sanumá nunca encontró un hombre que le interesara interesase, porque eran todos desgarbados, frívolos y vanidosos, hinchados de orgullo y rígidos en su presunción. Un día, cansada de su soledad, Sanumá dijo a su padre, cacique de la inmensa nación Ianomâni:
- Gran maestro y padre Ianoama, sé que le debo obediencia , pero deseo ir al encuentro de mi destino. Partiré y no retornaré hasta encontrar a mi compañero.
El padre no se opuso. Sabia que en los extensos limites de su territorio y que a la vez las tribus vecinas vivían un prolongado período de paz y confraternización entre ellas. Sin poner obstáculos, Ianoama permitió la partida de su hija. Seleccionó la comitiva que la acompañaría: un rastreador, que conoce todos los caminos del bosque, un cazador, que se preocuparía de la alimentación, un soñador, que tiene la habilidad de comunicarse en todas las lenguas humanas, animales y vegetales además de enviar mensajes a través de los sueños, y el chamán Shipaya, un pajé de renombre por toda la selva amazónica.
Imbuida de su deseo , Sanumá recorrió las más variadas tribus y tabas en busca de alguien que saciase su sed de amor. Se decidió a explorar más allá de los límites de su reino y se adentró en las montañas llenas de vegetación más densa que se conoce. Entró en la floresta milenaria donde las raíces son profundas y cada árbol se curva sobre el peso de sus flores y oscila delicadamente en la atmósfera de los Dioses.
Allí encontró la tribu Bará, que se retiró al profundo de la floresta después de que el cacique Kinã perdiera la visión y pasara a guiar su tribu por el olfato. Fue en ese momento cuando conoció a Ninam, guerrero y cazador, hijo de Kinã. Ambos se miraran a los ojos y desearon permanecer así eternamente. Sanumá percibió inmediatamente en los ojos de Ninam que su búsqueda había terminado.
Una semana juntos fue más que suficiente para que Sanumá tuviera la más absoluta convicción de que Ninam era la respuesta a todas sus preguntas, el destino de todos sus caminos. En cuanto a Ninam, reconoció en Sanumá el camino que lleva al paraíso y que es usado solamente por los Dioses. No había fuerza alguna en la faz de la Tierra que los separara.
Sanumá retornó para comunicar a su padre su decisión de tener a Ninam como compañero y de su disposición de vivir en el corazón de la floresta. Ianoama al principio se desesperó solo al pensar en separar-se de su única hija, pero se quedó callado porque sabía que el coraje que es alimentado por el amor es imbatible. Fue a buscar Shipaya, chamán que había acompañado a Sanumá en su búsqueda y le pidió información sobre Ninam.
- Ianoama – dijo Shipaya – Él nació en el profundo de la floresta, y es en donde vive desde entonces. Su padre se llama Kinã, cacique de la tribu Bará. Él es bondadoso y leal. Bello como la Luna, posee la energía y el vigor del Sol. Es generoso como Gaia y tiene el coraje de un jaguar con crías, aunque también es paciente como el Tiempo. Él posee solamente un defecto y ningún otro: Ninam morirá dentro de exactamente un año.
El cacique se encontró con su hija le reveló las palabras de Shipaya y le sugirió que cambiase de idea.
- No te cases para su infelicidad, hija.
Sanumá contestó:
- No escogeré dos veces. Sea su vida corta o larga, en mi corazón ya tomé a Ninam como compañero.
Ante la determinación de la hija, Ianoama se calló. Debido al poco tiempo que restaba de vida a su futuro yerno, apuró los preparativos de la partida. Fue planeada para la mañana siguiente. Acompañaría a su hija de retorno al corazón de la floresta a fin de participar en la fiesta del enlace de la pareja. El cacique Kinã fue el primero en percibir el retorno de Sanumá. Su voz alegre y clara como el canto de un pájaro al amanecer llegó con el viento hasta los sensibles oídos de Kinã, que se quedó preocupado: ¿Cómo una chica tan dulce podrá vivir en una floresta tan densa?
- Ninam, hijo mio, escucha a tu viejo padre. ¿Cómo soportará ella vivir en la floresta?
- Mi sabio padre, tanto ella como yo sabemos que la alegría y el llanto siguen su curso dondequiera que estemos. Comprendeme, padre. No destruya mis esperanzas.
El ímpetu de las pasiones perturba los pensamientos y solamente el Tiempo consigue desatar los nudos del corazón. El amor es más difícil de domar que a un picaflor. Tanto Kinã como Ianoama lo sabían y sin demora realizaron la ceremonia de unión de sus hijos. Cuando el mejor se une a la mejor no puede dejar de haber felicidad. Repletos de amor cada día la alegría siempre se hacia presente. El año restante de vida de Ninam transcurrió tan rápido como el caer de una estrella. ¿ Que sabe sobre el paso del Tiempo una victima del amor?
Sanumá mantenía su secreto. Solo le restaba contar los días, que se escurrían como arena entre los dedos, hasta que solo faltó el postrero. En la víspera de la llegada de la Muerte, Sanumá no conseguió dormir, pasó la noche acurrucada, observando a su marido, hasta la madrugada.
Por la mañana le preparo el desayuno. Pan frutado, miel de jataí, frutos de massaranduba, una graviola bien madura, jugo de mastruz, ciruelas rosas y dulces como la brisa de las mañanas, semillas de girasol tostadas al sol y castañas de cajú asadas en la leña de Ipe. Sanumá no conseguía comer nada, sus pensamientos continuaban encerrados en aquella sala donde habia un letrero en la puerta: “ Hoy es el día”.
Cuando el sol estaba a un palmo de altura, Ninam decidió salir a cazar. La insistencia de Sanumá en acompañarlo lo hizo cambiar de planes. En vez de ir a cazar, Ninam decidió ir a pescar algunos peces en la cascada con ella. Los caminos estrechos y densos por entre los morros estaban descubiertos a los ojos a través del suave brillo del sol que conseguía penetrar en la floresta. Después de atravesar dos enormes morros, ven que aparece ella, la cascada de Jeribucaçú, un río mágico, eslabón del amor de dos océanos… Jeribucaçú y su cascada, un salto de agua mayor de que cualquier árbol milenario, con sus aguas calientes y ruidosas de color dorada era un ostensivo invite al buceo.
Saltaron, nadaron, bromearon. Nunca la Eternidad se detuvo tanto tiempo como en aquel momento. Ah, la Eternidad…Ella tiene sus raíces fuera del alcance de los hombres. Yama también acompañaba a la pareja en su alegría. Una alegría que podría hacer brotar orquídeas en el desierto. Ajena a todos estos espectadores y llena de dulzura, Sanumá observaba todas las vibraciones del espíritu de Ninam.
Cuando salieron del agua, Ninam sintió escalofríos. Secó su cuerpo con algodón extraído de un pié de Marcela y sintió que la cabeza le palpitaba. Se acostó en el regazo de Sanumá. La luz lo perturbaba y hacía que le ardieran los ojos. Al darse cuenta, Sanumá hizo sombra con su rostro. En la sombra, Ninam tuvo su última visión: el intenso brillo de los ojos de Sanumá. Al cerrar los ojos, su rostro se retorció y se empalideció por un momento. El color volvió a su tez. Con la cabeza apoyada en el seno de Sanumá, Ninam se durmió serenamente. Sanumá con la voz triste susurró homenajes de amor y agonía al indio que le robó el alma y la calma .
Del interior de la floresta, un hombre alto y fuerte observaba a Sanumá con sus ojos oscuros. Sanumá percibió su uña brillante como los reflejos de sol en el lago y una pintura resplandeciente como el brillo de las perlas cubrían su cuerpo. Yama salió de la floresta como la Luna saliendo del mar: majestuoso y todo vestido de blanco. Tenía para Ninam una mirada de paciencia y bondad, y esto tranquilizó Sanumá.
- Mucho se vive, poco se ve – dice Yama – Eterno plantador de flores y espinos en nuestro camino, el Dios del Amor. Con sus flechas con puntas en flor posee el más poderoso arco del mundo. Aunque sea hecho de cana de azúcar y su cuerda no sea más gruesa que el hilo de una telaraña, el veneno de estas flechas carga el mágico encantamiento del amor.
Las palabras de Yama sorprendieron y encantaron a Sanumá por su suavidad. Sin miedo, Sanumá declaró su sorpresa:
- ¡Siempre creí que usted era una mujer!
- ¡No hermanita! Las mujeres traen la Vida porque tienen más
sabiduría para transmitir a los curumins. Los hombres interumpen la Vida. Debemos relevar algunas actitudes masculinas debido a esta violencia ancestral hereditaria, muchas veces reprimidas en saludables torneos, necesarias cazadas, y en innombrables guerras. De los hombres brota la Muerte, mientras en las mujeres florece la Vida.
- Señor Muerte, yo soy Sanumá.
Yama sonrió y respondió con blandura:
- Yo los conozco a los dos, Flor del Sueño, desde hace mucho tiempo. Las otras vidas yo las recuerdo, usted no; pero ahora esta lanzada la flecha de mi tutela. Los días de Ninam están completos y yo vengo a buscarlo.
Yama colocó la mano en el pecho de Ninam en la altura del corazón y arrancó su alma, un ente no mayor que su dedo, que Yama amarró en su lazo. Cuando el alma de Ninam fue guardada, su cuerpo no respiró más. Yama se retiró para la floresta, pero Sanumá lo siguió, caminando a su lado. El paró y le dijo:
- Vuelve, Flor del Sueño, y prepara el funeral.
- Oí decir que fue el primer hombre en morir que encontró el camino de la morada que no puede ser más habitada.
- Es verdad – dice Yama -, pero ahora vuelve, Flor del Sueño. No puedes seguirme más. Estas libre de cualquier compromiso o eslabón con Ninam.
- Todos los que nacen deben un día seguirlo, señor. Permítame acompañarle solamente un poco más, como su amiga.
Yama paró y, volviendo lentamente, miró a Sanumá. De su cuerpo exhalaba un olor de una orquídea al rocío de la primavera. Recordó el casamiento infinitamente feliz había visto apenas algunas horas atrás en la cascada.
- Tienes razón, Flor del Sueño, no tienes miedo de mí. Acepto tu amistad, acepta en cambio una dádiva mía. Pero no puedo devolver la vida de Ninam
- La amistad solamente se puede consumar después de dar juntos once pasos – dice Sanumá – Que la ceguera de Kinã lo abandone.
- Ya lo abandonó. Ahora vuelva, pues estás cansada.
- Ni un poco. Estoy con Ninam por última vez. Dame permiso para caminar con usted un poco más.
- Yo te doy. Yo siempre quito, mas es bueno poder dar. No es difícil dar. Cuando la vida llega al final y todo precisa ser entregado, se comprende que dar no es difícil.
Caminaron rumbo al Norte, llegaron al borde de un río. Yama dio de beber a Sanumá de su propia mano. Ofreció a Sanumá visiones de otras vidas suyas. Pasadas o venideras, era solamente cuestión elegir. Gentilmente Sanumá recusó el regalo.
- Durante la vida, Sanumá, existe el dolor, pero no después de la muerte. Lo que es muy difícil es encontrar alguien digno de recibir. Yo ya miré a todos. Y, sin embargo esta agua no es más límpida que tu corazón. Tú luchas por lo que deseas, tú decides y eliges tu camino. No te rindas. No desees ser ninguna otra persona. Hace mucho que no veo esta actitud. Puedes hacer un pedido Sanumá, todo menos la vida de Ninam.
- Que mi padre Ianoama viva tanto como un Jatobá y tenga una centenar de hijos.
- Él los tendrá – aseguró Yama – pero pídeme algo más, algo para tí misma. Todo menos la vida de Ninam.
Sanumá respondió:
- ¡Qué yo tenga también cien hijos de mi marido!
Yama se paró delante de una Ibirapitanga milenaria y se quedó contemplándola. Sanumá no sabía decir que fue lo que le impresionó . Si sus palabras o el gigantesco árbol de grueso tronco colorado.
- Flor del Sueño, tú me respondiste sin pensar. ¿Cómo has de tener hijos con Ninam si él esta muerto? ¿no has pensado en esto?
- No.
- Sé que no. Pero no hay más vida en él. Está todo acabado.
- Por eso mismo, señor, no he pedido nada para mí. Yo que estoy mitad muerta y no anhelo siquiera el cielo.
Yama suspiró…
- Los favores nunca piden para un hombre verdadero. Soy absolutamente imparcial para todos los hombres. Yo, más que nadie, sé lo que son la verdad y la justicia. Sé que todo el pasado y todo el futuro se mantienen unidos por la verdad. ¿Cuanto vale tu vida sin Ninam?
- Nada señor.
- ¿Me entregarías mitad de sus días en la Tierra?
- Si, ellos son suyos.
Nuevamente Yama dirigió una mirada profunda a Sanumá. Ella sintió el peso de la mirada sobre su cuerpo. Por fin Yama dijo:
- ¡Está hecho! Pues más fuerte que la muerte es el amor, y más largo que la vida es la salud de la persona querida. Tomé sus días y entregué a su marido como si fuesen de él. ¿Quieres que te diga el número de esos días?
-No. Nadie mejor que yo que conoce la angustia de mirar el Tiempo correr desesperadamente en su dirección.
- El alma de Ninam descansa contigo, Flor del Sueño. Tendrás que llevarla de vuelta tú misma. Pero, antes de partir, hazme un poco de compañía y yo te mostraré el manejo de las armas mortales de los Dioses.
Sanumá aprendió muchos mantras y encantamientos. Mantras que podrían sacar un alma dentro de un cuerpo y ponerlo afuera con solo pulsar la palma de la mano. Yama reveló su verdadero nombre a Sanumá, pero advirtió que ella nunca podría pronunciarlo indiscriminadamente, porque podría traer una destrucción inimaginable. Si él fuera revelado, toda la virtud y todo el poder de las palabras desaparecerán instantáneamente y para siempre. Después Sanumá reveló todo este conocimiento a Shipaya y él se encargó de incorporar estos conocimientos en la sabiduría milenaria secreta de los chamanes.
Yama se despidió de Sanumá y prosiguió solo, hacia el Reino de los Muertos, con un cordón que nada contenía. Ya era oscuro cuando Sanumá volvió a una selva densa y siniestra, donde las hojas murmuraban ferozmente al viento de la noche. El cadáver de Ninam permanecía gélido a la luz de las estrellas. Ella colocó la cabeza de su marido en su regazo y sintió la piel calentarse al contacto con su delicado cuerpo. Ninam abrió los ojos y miró a Sanumá con la felicidad que contiene una mirada después de matar una larga saudade.
- Pasé el día durmiendo, mi Flor. Tuve un sueño extraño y en él yo estaba siendo llevado…
- Eso ya pasó – dice Sanumá.
- ¿No fue un sueño?
- Ninam yo puedo deshacerme de mi misma, pero jamás de ti. Es tarde, debemos volver. Hablaremos cuando lleguemos a casa.
Yama había vuelto. Oculto en la floresta quería solamente mirar el reencuentro de la pareja. Luego dirigió su mirada a la oscura densidad de la floresta y dijo:
- ¿Por qué me miras tanto, Eternidad? ¿Crees que perdí el tino con la vejez? Este casal transmitió a todos el verdadero éxtasis de vivir. Intentar contener este amor ha sido lo mismo que exprimir un torbellino en los brazos. ¿Por qué siempre hay indecisiones y dudas en las cosas del Amor?
De la oscuridad salió la Eternidad involucrada con su disfraz casi impenetrable. Caminó junto con Yama. Descendieron y se sentaron en la aplacible orilla del río. Son los rayos de luna los que existe a la noche que devele los verdaderos colores de todo lo que existe. La Eternidad sonrió viendo como el río fluía en su frente. Una sonrisa placentera que hizo brillar su rostro.
- El hombre no representa su papel en la Tierra por lo que hace y dice, sino por lo que es. El verdadero guerrero es consciente de su armonía con el camino. Por un intenso SER es realizado el más extenso HACER. Sin esa esencia, sin esta luz, puede el hombre mirar todas las cosas externas y no comprender nada, así como un analfabeto puede hojear los mayores libros de la humanidad sin entender nada.
- No necesita justificarse Yama. Si hubiese alguna causa para el Amor, él es mi viejo amigo de otra vida y se irá conmigo después cualquier pequeño atrito. Pajarita que se inclina ya tiene el vuelo pronto. Esclarézcame una cosa Yama: ¿Qué es esta vida loca que corre por los cuerpos humanos como fuego?
- La vida es como un hierro caliente, fundido; presto a ser derramado. Elija el molde y la Vida lo abrasará. Los actos externos no tienen valor por si mismos, pero sí por la actitud interna. Para ser benefactor de la humanidad, solamente es preciso ser bueno.
Yama limpió el polvo con el viento, se sentó sobre un puñado de hojas largas de hierba y aprovechó para preguntar a la Eternidad:
- Y usted, que desprecia el Tiempo; ¿ no se cansó de existir?
- El Tiempo es un océano sin fin; ¿dónde hallar una isla? La vida pasa y es inestable. A veces, Yama, oigo el viento pasar y solamente por oír pasar el viento, pienso que vale la pena existir. Tengo el egoísmo natural de las flores, preocupadas solamente por florecer.
-Eternidad, usted que es mucho más experta que yo, y que se quedará aqui después de mi partida, aclárame de una duda: ¿Conoce alguien el Futuro?
- Nada sé sobre el Futuro, Yama. Como usted, tengo paciencia y espero que Él venga a mi encuentro. Tengo como compañero el Presente, momento único en que la gente puede crear y recrear nuestro camino a nuestra imagen y semejanza, vestirse con todos los colores, saborear todos los sabores y entregarse a todos los amores sin prejuicios, ni vergüenza. Esa tiempo tan fugaz en la vida de la gente es único, se llama Presente y tiene la duración del instante que pasa. La vida reside en el instante. No pierda un solo instante, haga rápido lo que desea, pues la alegría es efímera como el rocío en verano.
Y no dijo nada más. El murmullo de la suave melodía del riachuelo quedó sustenido sobre el profundo silencio, y todo se quedó oscuro como la media noche; quieto y tranquilo como cuando un Dios duerme.
En un reino donde las abejas uruçús amarillas cargadas de néctar reposaban sobre las flores en todas partes, nadie jamás vio una flor tan linda y perfumada como Sanumá, también conocida como Flor del Sueño. Era bella y bondadosa como un árbol gigante que abre su capa de hojas delicadas y ofrece su sombra y frutos adulzados a todos. Era una india cuya belleza hacía que las otras mujeres pareciesen vulgares, avergonzando la vanidad de todas.
A pesar de sus encantos, Sanumá nunca encontró un hombre que le interesara interesase, porque eran todos desgarbados, frívolos y vanidosos, hinchados de orgullo y rígidos en su presunción. Un día, cansada de su soledad, Sanumá dijo a su padre, cacique de la inmensa nación Ianomâni:
- Gran maestro y padre Ianoama, sé que le debo obediencia , pero deseo ir al encuentro de mi destino. Partiré y no retornaré hasta encontrar a mi compañero.
El padre no se opuso. Sabia que en los extensos limites de su territorio y que a la vez las tribus vecinas vivían un prolongado período de paz y confraternización entre ellas. Sin poner obstáculos, Ianoama permitió la partida de su hija. Seleccionó la comitiva que la acompañaría: un rastreador, que conoce todos los caminos del bosque, un cazador, que se preocuparía de la alimentación, un soñador, que tiene la habilidad de comunicarse en todas las lenguas humanas, animales y vegetales además de enviar mensajes a través de los sueños, y el chamán Shipaya, un pajé de renombre por toda la selva amazónica.
Imbuida de su deseo , Sanumá recorrió las más variadas tribus y tabas en busca de alguien que saciase su sed de amor. Se decidió a explorar más allá de los límites de su reino y se adentró en las montañas llenas de vegetación más densa que se conoce. Entró en la floresta milenaria donde las raíces son profundas y cada árbol se curva sobre el peso de sus flores y oscila delicadamente en la atmósfera de los Dioses.
Allí encontró la tribu Bará, que se retiró al profundo de la floresta después de que el cacique Kinã perdiera la visión y pasara a guiar su tribu por el olfato. Fue en ese momento cuando conoció a Ninam, guerrero y cazador, hijo de Kinã. Ambos se miraran a los ojos y desearon permanecer así eternamente. Sanumá percibió inmediatamente en los ojos de Ninam que su búsqueda había terminado.
Una semana juntos fue más que suficiente para que Sanumá tuviera la más absoluta convicción de que Ninam era la respuesta a todas sus preguntas, el destino de todos sus caminos. En cuanto a Ninam, reconoció en Sanumá el camino que lleva al paraíso y que es usado solamente por los Dioses. No había fuerza alguna en la faz de la Tierra que los separara.
Sanumá retornó para comunicar a su padre su decisión de tener a Ninam como compañero y de su disposición de vivir en el corazón de la floresta. Ianoama al principio se desesperó solo al pensar en separar-se de su única hija, pero se quedó callado porque sabía que el coraje que es alimentado por el amor es imbatible. Fue a buscar Shipaya, chamán que había acompañado a Sanumá en su búsqueda y le pidió información sobre Ninam.
- Ianoama – dijo Shipaya – Él nació en el profundo de la floresta, y es en donde vive desde entonces. Su padre se llama Kinã, cacique de la tribu Bará. Él es bondadoso y leal. Bello como la Luna, posee la energía y el vigor del Sol. Es generoso como Gaia y tiene el coraje de un jaguar con crías, aunque también es paciente como el Tiempo. Él posee solamente un defecto y ningún otro: Ninam morirá dentro de exactamente un año.
El cacique se encontró con su hija le reveló las palabras de Shipaya y le sugirió que cambiase de idea.
- No te cases para su infelicidad, hija.
Sanumá contestó:
- No escogeré dos veces. Sea su vida corta o larga, en mi corazón ya tomé a Ninam como compañero.
Ante la determinación de la hija, Ianoama se calló. Debido al poco tiempo que restaba de vida a su futuro yerno, apuró los preparativos de la partida. Fue planeada para la mañana siguiente. Acompañaría a su hija de retorno al corazón de la floresta a fin de participar en la fiesta del enlace de la pareja. El cacique Kinã fue el primero en percibir el retorno de Sanumá. Su voz alegre y clara como el canto de un pájaro al amanecer llegó con el viento hasta los sensibles oídos de Kinã, que se quedó preocupado: ¿Cómo una chica tan dulce podrá vivir en una floresta tan densa?
- Ninam, hijo mio, escucha a tu viejo padre. ¿Cómo soportará ella vivir en la floresta?
- Mi sabio padre, tanto ella como yo sabemos que la alegría y el llanto siguen su curso dondequiera que estemos. Comprendeme, padre. No destruya mis esperanzas.
El ímpetu de las pasiones perturba los pensamientos y solamente el Tiempo consigue desatar los nudos del corazón. El amor es más difícil de domar que a un picaflor. Tanto Kinã como Ianoama lo sabían y sin demora realizaron la ceremonia de unión de sus hijos. Cuando el mejor se une a la mejor no puede dejar de haber felicidad. Repletos de amor cada día la alegría siempre se hacia presente. El año restante de vida de Ninam transcurrió tan rápido como el caer de una estrella. ¿ Que sabe sobre el paso del Tiempo una victima del amor?
Sanumá mantenía su secreto. Solo le restaba contar los días, que se escurrían como arena entre los dedos, hasta que solo faltó el postrero. En la víspera de la llegada de la Muerte, Sanumá no conseguió dormir, pasó la noche acurrucada, observando a su marido, hasta la madrugada.
Por la mañana le preparo el desayuno. Pan frutado, miel de jataí, frutos de massaranduba, una graviola bien madura, jugo de mastruz, ciruelas rosas y dulces como la brisa de las mañanas, semillas de girasol tostadas al sol y castañas de cajú asadas en la leña de Ipe. Sanumá no conseguía comer nada, sus pensamientos continuaban encerrados en aquella sala donde habia un letrero en la puerta: “ Hoy es el día”.
Cuando el sol estaba a un palmo de altura, Ninam decidió salir a cazar. La insistencia de Sanumá en acompañarlo lo hizo cambiar de planes. En vez de ir a cazar, Ninam decidió ir a pescar algunos peces en la cascada con ella. Los caminos estrechos y densos por entre los morros estaban descubiertos a los ojos a través del suave brillo del sol que conseguía penetrar en la floresta. Después de atravesar dos enormes morros, ven que aparece ella, la cascada de Jeribucaçú, un río mágico, eslabón del amor de dos océanos… Jeribucaçú y su cascada, un salto de agua mayor de que cualquier árbol milenario, con sus aguas calientes y ruidosas de color dorada era un ostensivo invite al buceo.
Saltaron, nadaron, bromearon. Nunca la Eternidad se detuvo tanto tiempo como en aquel momento. Ah, la Eternidad…Ella tiene sus raíces fuera del alcance de los hombres. Yama también acompañaba a la pareja en su alegría. Una alegría que podría hacer brotar orquídeas en el desierto. Ajena a todos estos espectadores y llena de dulzura, Sanumá observaba todas las vibraciones del espíritu de Ninam.
Cuando salieron del agua, Ninam sintió escalofríos. Secó su cuerpo con algodón extraído de un pié de Marcela y sintió que la cabeza le palpitaba. Se acostó en el regazo de Sanumá. La luz lo perturbaba y hacía que le ardieran los ojos. Al darse cuenta, Sanumá hizo sombra con su rostro. En la sombra, Ninam tuvo su última visión: el intenso brillo de los ojos de Sanumá. Al cerrar los ojos, su rostro se retorció y se empalideció por un momento. El color volvió a su tez. Con la cabeza apoyada en el seno de Sanumá, Ninam se durmió serenamente. Sanumá con la voz triste susurró homenajes de amor y agonía al indio que le robó el alma y la calma .
Del interior de la floresta, un hombre alto y fuerte observaba a Sanumá con sus ojos oscuros. Sanumá percibió su uña brillante como los reflejos de sol en el lago y una pintura resplandeciente como el brillo de las perlas cubrían su cuerpo. Yama salió de la floresta como la Luna saliendo del mar: majestuoso y todo vestido de blanco. Tenía para Ninam una mirada de paciencia y bondad, y esto tranquilizó Sanumá.
- Mucho se vive, poco se ve – dice Yama – Eterno plantador de flores y espinos en nuestro camino, el Dios del Amor. Con sus flechas con puntas en flor posee el más poderoso arco del mundo. Aunque sea hecho de cana de azúcar y su cuerda no sea más gruesa que el hilo de una telaraña, el veneno de estas flechas carga el mágico encantamiento del amor.
Las palabras de Yama sorprendieron y encantaron a Sanumá por su suavidad. Sin miedo, Sanumá declaró su sorpresa:
- ¡Siempre creí que usted era una mujer!
- ¡No hermanita! Las mujeres traen la Vida porque tienen más
sabiduría para transmitir a los curumins. Los hombres interumpen la Vida. Debemos relevar algunas actitudes masculinas debido a esta violencia ancestral hereditaria, muchas veces reprimidas en saludables torneos, necesarias cazadas, y en innombrables guerras. De los hombres brota la Muerte, mientras en las mujeres florece la Vida.
- Señor Muerte, yo soy Sanumá.
Yama sonrió y respondió con blandura:
- Yo los conozco a los dos, Flor del Sueño, desde hace mucho tiempo. Las otras vidas yo las recuerdo, usted no; pero ahora esta lanzada la flecha de mi tutela. Los días de Ninam están completos y yo vengo a buscarlo.
Yama colocó la mano en el pecho de Ninam en la altura del corazón y arrancó su alma, un ente no mayor que su dedo, que Yama amarró en su lazo. Cuando el alma de Ninam fue guardada, su cuerpo no respiró más. Yama se retiró para la floresta, pero Sanumá lo siguió, caminando a su lado. El paró y le dijo:
- Vuelve, Flor del Sueño, y prepara el funeral.
- Oí decir que fue el primer hombre en morir que encontró el camino de la morada que no puede ser más habitada.
- Es verdad – dice Yama -, pero ahora vuelve, Flor del Sueño. No puedes seguirme más. Estas libre de cualquier compromiso o eslabón con Ninam.
- Todos los que nacen deben un día seguirlo, señor. Permítame acompañarle solamente un poco más, como su amiga.
Yama paró y, volviendo lentamente, miró a Sanumá. De su cuerpo exhalaba un olor de una orquídea al rocío de la primavera. Recordó el casamiento infinitamente feliz había visto apenas algunas horas atrás en la cascada.
- Tienes razón, Flor del Sueño, no tienes miedo de mí. Acepto tu amistad, acepta en cambio una dádiva mía. Pero no puedo devolver la vida de Ninam
- La amistad solamente se puede consumar después de dar juntos once pasos – dice Sanumá – Que la ceguera de Kinã lo abandone.
- Ya lo abandonó. Ahora vuelva, pues estás cansada.
- Ni un poco. Estoy con Ninam por última vez. Dame permiso para caminar con usted un poco más.
- Yo te doy. Yo siempre quito, mas es bueno poder dar. No es difícil dar. Cuando la vida llega al final y todo precisa ser entregado, se comprende que dar no es difícil.
Caminaron rumbo al Norte, llegaron al borde de un río. Yama dio de beber a Sanumá de su propia mano. Ofreció a Sanumá visiones de otras vidas suyas. Pasadas o venideras, era solamente cuestión elegir. Gentilmente Sanumá recusó el regalo.
- Durante la vida, Sanumá, existe el dolor, pero no después de la muerte. Lo que es muy difícil es encontrar alguien digno de recibir. Yo ya miré a todos. Y, sin embargo esta agua no es más límpida que tu corazón. Tú luchas por lo que deseas, tú decides y eliges tu camino. No te rindas. No desees ser ninguna otra persona. Hace mucho que no veo esta actitud. Puedes hacer un pedido Sanumá, todo menos la vida de Ninam.
- Que mi padre Ianoama viva tanto como un Jatobá y tenga una centenar de hijos.
- Él los tendrá – aseguró Yama – pero pídeme algo más, algo para tí misma. Todo menos la vida de Ninam.
Sanumá respondió:
- ¡Qué yo tenga también cien hijos de mi marido!
Yama se paró delante de una Ibirapitanga milenaria y se quedó contemplándola. Sanumá no sabía decir que fue lo que le impresionó . Si sus palabras o el gigantesco árbol de grueso tronco colorado.
- Flor del Sueño, tú me respondiste sin pensar. ¿Cómo has de tener hijos con Ninam si él esta muerto? ¿no has pensado en esto?
- No.
- Sé que no. Pero no hay más vida en él. Está todo acabado.
- Por eso mismo, señor, no he pedido nada para mí. Yo que estoy mitad muerta y no anhelo siquiera el cielo.
Yama suspiró…
- Los favores nunca piden para un hombre verdadero. Soy absolutamente imparcial para todos los hombres. Yo, más que nadie, sé lo que son la verdad y la justicia. Sé que todo el pasado y todo el futuro se mantienen unidos por la verdad. ¿Cuanto vale tu vida sin Ninam?
- Nada señor.
- ¿Me entregarías mitad de sus días en la Tierra?
- Si, ellos son suyos.
Nuevamente Yama dirigió una mirada profunda a Sanumá. Ella sintió el peso de la mirada sobre su cuerpo. Por fin Yama dijo:
- ¡Está hecho! Pues más fuerte que la muerte es el amor, y más largo que la vida es la salud de la persona querida. Tomé sus días y entregué a su marido como si fuesen de él. ¿Quieres que te diga el número de esos días?
-No. Nadie mejor que yo que conoce la angustia de mirar el Tiempo correr desesperadamente en su dirección.
- El alma de Ninam descansa contigo, Flor del Sueño. Tendrás que llevarla de vuelta tú misma. Pero, antes de partir, hazme un poco de compañía y yo te mostraré el manejo de las armas mortales de los Dioses.
Sanumá aprendió muchos mantras y encantamientos. Mantras que podrían sacar un alma dentro de un cuerpo y ponerlo afuera con solo pulsar la palma de la mano. Yama reveló su verdadero nombre a Sanumá, pero advirtió que ella nunca podría pronunciarlo indiscriminadamente, porque podría traer una destrucción inimaginable. Si él fuera revelado, toda la virtud y todo el poder de las palabras desaparecerán instantáneamente y para siempre. Después Sanumá reveló todo este conocimiento a Shipaya y él se encargó de incorporar estos conocimientos en la sabiduría milenaria secreta de los chamanes.
Yama se despidió de Sanumá y prosiguió solo, hacia el Reino de los Muertos, con un cordón que nada contenía. Ya era oscuro cuando Sanumá volvió a una selva densa y siniestra, donde las hojas murmuraban ferozmente al viento de la noche. El cadáver de Ninam permanecía gélido a la luz de las estrellas. Ella colocó la cabeza de su marido en su regazo y sintió la piel calentarse al contacto con su delicado cuerpo. Ninam abrió los ojos y miró a Sanumá con la felicidad que contiene una mirada después de matar una larga saudade.
- Pasé el día durmiendo, mi Flor. Tuve un sueño extraño y en él yo estaba siendo llevado…
- Eso ya pasó – dice Sanumá.
- ¿No fue un sueño?
- Ninam yo puedo deshacerme de mi misma, pero jamás de ti. Es tarde, debemos volver. Hablaremos cuando lleguemos a casa.
Yama había vuelto. Oculto en la floresta quería solamente mirar el reencuentro de la pareja. Luego dirigió su mirada a la oscura densidad de la floresta y dijo:
- ¿Por qué me miras tanto, Eternidad? ¿Crees que perdí el tino con la vejez? Este casal transmitió a todos el verdadero éxtasis de vivir. Intentar contener este amor ha sido lo mismo que exprimir un torbellino en los brazos. ¿Por qué siempre hay indecisiones y dudas en las cosas del Amor?
De la oscuridad salió la Eternidad involucrada con su disfraz casi impenetrable. Caminó junto con Yama. Descendieron y se sentaron en la aplacible orilla del río. Son los rayos de luna los que existe a la noche que devele los verdaderos colores de todo lo que existe. La Eternidad sonrió viendo como el río fluía en su frente. Una sonrisa placentera que hizo brillar su rostro.
- El hombre no representa su papel en la Tierra por lo que hace y dice, sino por lo que es. El verdadero guerrero es consciente de su armonía con el camino. Por un intenso SER es realizado el más extenso HACER. Sin esa esencia, sin esta luz, puede el hombre mirar todas las cosas externas y no comprender nada, así como un analfabeto puede hojear los mayores libros de la humanidad sin entender nada.
- No necesita justificarse Yama. Si hubiese alguna causa para el Amor, él es mi viejo amigo de otra vida y se irá conmigo después cualquier pequeño atrito. Pajarita que se inclina ya tiene el vuelo pronto. Esclarézcame una cosa Yama: ¿Qué es esta vida loca que corre por los cuerpos humanos como fuego?
- La vida es como un hierro caliente, fundido; presto a ser derramado. Elija el molde y la Vida lo abrasará. Los actos externos no tienen valor por si mismos, pero sí por la actitud interna. Para ser benefactor de la humanidad, solamente es preciso ser bueno.
Yama limpió el polvo con el viento, se sentó sobre un puñado de hojas largas de hierba y aprovechó para preguntar a la Eternidad:
- Y usted, que desprecia el Tiempo; ¿ no se cansó de existir?
- El Tiempo es un océano sin fin; ¿dónde hallar una isla? La vida pasa y es inestable. A veces, Yama, oigo el viento pasar y solamente por oír pasar el viento, pienso que vale la pena existir. Tengo el egoísmo natural de las flores, preocupadas solamente por florecer.
-Eternidad, usted que es mucho más experta que yo, y que se quedará aqui después de mi partida, aclárame de una duda: ¿Conoce alguien el Futuro?
- Nada sé sobre el Futuro, Yama. Como usted, tengo paciencia y espero que Él venga a mi encuentro. Tengo como compañero el Presente, momento único en que la gente puede crear y recrear nuestro camino a nuestra imagen y semejanza, vestirse con todos los colores, saborear todos los sabores y entregarse a todos los amores sin prejuicios, ni vergüenza. Esa tiempo tan fugaz en la vida de la gente es único, se llama Presente y tiene la duración del instante que pasa. La vida reside en el instante. No pierda un solo instante, haga rápido lo que desea, pues la alegría es efímera como el rocío en verano.
Y no dijo nada más. El murmullo de la suave melodía del riachuelo quedó sustenido sobre el profundo silencio, y todo se quedó oscuro como la media noche; quieto y tranquilo como cuando un Dios duerme.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Salada de Fruta
Salada de Fruta
Gostaria de trazer na boca
O visgo da jaca
Para prender e apreender
eternamente
em meus labios
a doçura do abiu
que teu beijo carrega.
.
Sobre os desenhos
Na verdade so sao dois: Um da Dreamworks e outro da estoria de Sanuma, o casal de indios no Rio Jeribucaçu. O casal de indios foi criado por Monica Reis. Estou com muita dificuldade de postar mais desenhos, mas os amigos estao livres ( e convidados ) para enviarem desenhos para as estorias e/ou personagens.
Dedos no pincel!
Aloha!
Leo
Dedos no pincel!
Aloha!
Leo
sábado, 31 de janeiro de 2009
Sanuma in Deutch
Sanumá in Deutch
In einem Reich, wo Bienen die Blumen großzügig mit ihren Pollen bestäubten, dort konnten diese so ruhig leben wie die schöne und duftende Blume Sanuma, die bekannt war als Flor do Sonho, Blume der Träume. Sie war so schön und liebenswürdig wie ein großer Baum, der seinen dichten Umhang von delikaten Blättern, seinen Schutz und köstlichen Früchte für alle öffnete. Ein Indianer, dessen Schönheit andere Frauen vulgär machte und die Eitelkeit von ihnen allen beschämte.
Trotz ihrer Gebete hatte Sanuma nie einen Mann getroffen, der sie interessierte, denn sie waren alle skandalös, unbrauchbar und eitel, aufgeblasen vor Stolz und schwer auf den Augen. Eines Tages, ermüdet von ihrer Einsamkeit, sagte Sanuma ihrem Vater: „Großer Meister und Vater Ianoama, Oberhaupt des Stammes der Ianomami, ich weiß, dass ich Gehorsam zeigen muss, aber ich wünsche mir, mein Schicksal zu treffen. Ich werde fortgehen und komme nicht zurück, bis ich meinen Gefährten gefunden habe.“
Ihr Vater protestierte nicht. Er dachte an die große Station ihrer Geburt und auch die anhaltende Periode von Frieden und Gemeinschaft mit den benachbarten Stämmen. Keine Hindernisse findend, erlaubte Ianoama die Abreise seiner Tochter. Er wählte ein Gefolge aus, sie zu begleiten: einen Führer, einen Jäger, einen Seher, der die Fähigkeit hatte, sich in allen Sprachen der Menschen, Pflanzen und Tiere zu verständigen und einen Schamanen, mit dem größten Ruhm im ganzen Amazonasdschungel, um Mitteilungen durch Träume und Xama Shypaia zu senden.
Durchdrungen von ihrem Wunsch und sich sehnend durchsuchte Sanuma den größten Teil der verschiedenen Stämmen und Dörfer, um jemanden zu finden, der ihren Durst auf Liebe zu stillen vermochte. Sie beschloss, die Weiten jenseits der Grenzen ihres Reiches zu erforschen und die mit den dichtesten bekannten Dschungeln ausgestatteten Berge. Sie trat in den tausendjährigen Dschungel ein, wo die Wurzeln lang waren, und jeder Baum sich unter dem Gewicht seiner üppigen Blüten beugte, welche zartfühlend ihr Erscheinen bei den Göttern oszillierten.
Dort traf sie den Bara-Stamm, der sich in das Herz des Dschungels zurückgezogen hatte, nachdem Oberhaupt Kina sein Sehvermögen verloren hatte und seinen Stamm durch seinen Geruchssinn führte. Als sie den Jäger Nimam sah, Sohn des Kina, blickten sie sich in die Augen, der eine dem anderen, verlangend jeder den anderen für die Ewigkeit zu sehen; Sanuma nahm sofort in den Augen von Nimam wahr, dass ihre Suche beendet war.
Eine Woche zusammen war mehr als genug für Sanuma, um absolut überzeugt zu sein, dass Nimam die Antwort zu all ihren Fragen und das Schicksal ihrer gesamten Reise war. Im Gegenzug erkannte Nimam sofort in Sanuma einen Pfad zum Paradies, der nur von den Göttern beschritten wurde. Auf dem Angesicht der Erde würde es nie eine Trennung zwischen ihnen geben können.
Sanuma kehrte zurück, um ihrem Vater von ihrer Entscheidung, Nimam als ihren Gefährten zu nehmen, und im Herzen des Dschungels zu wohnen, zu berichten. Ianoama verzweifelte zuerst nur, wenn er an die Trennung von seiner einzigen Tochter dachte, aber fand Frieden in dem Wissen, dass dieser Mut, der vom Herzen genährt wird, unschlagbar ist. Er besuchte Shypaia den Schamanen, der Sanuma begleitet hatte, und forderte Informationen über Nimam.
„Ianoama“, sagte Shypaia, „Er wurde im Herzen des Dschungels geboren, wo er seitdem gelebt hat. Der Name seines Vaters ist Kina, Oberhaupt des Bara-Stammes. Er ist gutherzig und loyal. Schön wie der Mond besitzt er die Energie und die Kraft der Sonne. Er ist so großzügig wie Gaia und hat den Mut eines Jaguarjungen, und ist so geduldig wie die Zeit. Er besitzt nur einen Mangel und keinen anderen: genau in einem Jahr wird Nimam sterben.“
Der Häuptling traf sich mit seiner Tochter und enthüllte ihr die Wörter von Shypaia und schlug vor, dass sie ihre Wahl änderte.
„Heirate nicht ins Elend, Tochter.“
Sanuma antwortete, „es gibt keine andere Wahl mein Vater. Ob sein Leben kurz oder lang ist, ich werde Nimam als den Gefährten meines Herzens nehmen.“
Konfrontiert mit der Entschlossenheit seiner Tochter, wurde Ianoama still und angesichts der kurzen Zeit, die dem Leben seines künftigen Schwiegersohnes noch bleiben würde, bereitete er zügig Vorbereitungen für den folgenden Morgen vor. Er würde seine Tochter bei ihrer Rückkehr zum Herzen des Dschungels begleiten, um an den Festlichkeiten teilzuhaben, die für das Ehepaar gehalten würden. Oberhaupt Kina bemerkte als erster die Rückkehr von Sanuma, mit ihrer fröhlichen und sanften Stimme gleich einem Vogels zu Tagesanbruch, ein Wispern im Wind, nur hörbar für Kina. Wie wird so ein süßes Mädchen fähig sein, so dicht in einem Dschungel zu wohnen?
„Nimam mein Sohn, erkläre es deinem alten Vater. Wie wirst du sie unterstützen, um im Dschungel zu wohnen?“
„Mein weiser Vater, sie weiß ebenso wie ich, wie Freude und Trauer ihrem Ablauf folgen, wo immer wir je sind. Bitte beschäme mich nicht mein Vater. Zerstöre
nicht die Hoffnungen des Mädchens.“
Der Auftrieb der Leidenschaft verwirrt den Verstand, und nur Zeit schafft es, unsere Herzen freizulassen. Liebe ist schwieriger zu fangen als ein Kolibri. Davon wussten Kina und Ianoama und ohne Verzögerung vervollständigten sie die Zeremonie der Vereinigung ihrer Kinder. Wenn das Beste mit dem Besten verbunden wird, kann Glück nicht vermieden werden. Reichlich ausgestattet mit Liebe und gnädigen Tagen in denen Freude immer nah war, ging das restliche Jahr von Nimam´s Leben so schnell vorbei wie ein fallender Stern. Wer weiß besser von der Untätigkeit der Zeit als ein Opfer der Liebe?
Sanuma behielt ihr Geheimnis für sich und ruhte sich nur aus, um die Tage zu zählen, die wie Sand durch ihre Finger flossen. Erst wenn sie alleine war, würde sie ruhen.
Am Tag vor dem Eintritt des Todes fiel Sanuma nicht in Schlaf; sie verbrachte die Nacht wachend um ihren Ehemann zu betrachten bis er erwachte.
Sie machte ihm Kaffee am Morgen. Sie präsentierte Fruchtbrot, Honig von Jatai (einer kleinen feinen Biene), Kaffee, Graviola der Macarunda, lieb wie die Morgenbrise, Sonnenblumenkerne rösteten in der Sonne, und Cashewnüsse brieten über Brennholz von Ipe. Sanuma konnte nichts essen; ihre Gedanken fuhren fort zu wandern, als ob in einem Zimmer auf einer Tafel zu lesen wäre „HEUTE IST DER TAG“.
Als die Sonne eine Hand hoch war entschied sich Nimam auf die Jagd zu gehen. Sanuma drängte sich auf, ihn zu begleiten und versuchte seine Pläne zu ändern. Anstelle der Jagd willigte Nimam ein, zusammen mit ihr beim Wasserfall Fische zu fangen.
Die dichten steilen Pfade zwischen den Hügeln enthüllten Ausblicke in die weiche, helle Sonne, die den tiefen Dschungel durchdrang. Nachdem sie zwei Hügel von beträchtlichem Ausmaß überquert hatten, erschienen die Wasserfälle von Jeribucaçu vor ihnen, eines magischen Flusses, ein Band der Liebe zwischen den Ozeanen. Aber das ist eine andere Geschichte, und jetzt erzählen wir das Drama von Sanuma, Flor do Sonho, und von ihrer mutigen Begegnung mit Yama, dem Herrn des Todes. Dem, vor dem man fliehen sollte und alle Gefahren vermeiden.
Wir kehren zurück zu Jeribucaçu und seinen Stromschnellen, dem größten Wasserfall des tausendjährigen Dschungels. Mit seinem warmen Wasser und von Erzen geschmückter Farbe war er eine unwiderstehliche Einladung hineinzutauchen.
Sie sprangen, sie schwammen, und spielten. Die Ewigkeit hielt niemals so die Zeit auf dem Planeten an wie in diesem Moment zwischen den beiden. Ach, Ewigkeit. Sie hält ihre Wurzeln von den Reichweiten der Männer fern. Yama kümmerte sich inzwischen um das Glück des Ehepaares. Ein Glück, das Orchideen dazu bringen konnte, in der Wüste zu blühen. Ahnungslos über die Zuschauer, voll von Süße, beobachtete Sanuma alle Nuancen von Nimam´s Seele.
Als er aus dem Wasser herauskam, empfand Nimam Kühle. Er trocknete seinen Körper mit einem Stoff, genommen von der Marcela Pflanze, und empfand Kopfschmerzen. Er lag an Sanuma´s Brust. Das Licht störte und brannte seine Augen. Dieses wahrnehmend, beschattete ihn Sanuma mit ihrem Gesicht, und dieser Schatten erlaubte Nimam seine letzte Vision: das intensive Licht von Sanuma´s Augen.
Beim Schließen seiner Augen veränderte sich sein Gesicht und erbleichte für einen Moment. Kurz kam die Farbe auf sein Gesicht zurück und mit seinem Kopf zu Sanuma gewandt ging Nimam ruhig dazu über zu schlafen. Sanuma murmelte mit einer traurigen, rhythmischen Stimme Huldigungen von Liebe und Qual an den Indianer, der ihre Seele und ihre Stille gestohlen hatte.
Vom Dschungel aus beobachtete ein großer, starker Mann Sanuma mit festen, dunklen Augen. Plötzlich merkte Sanuma seinen glänzenden Funken wie die Reflektion der Sonne auf einem See in einem sprühenden Gemälde, wie Edelsteine und Perlen, die seinen Körper bedecken. Yama stand über dem Meer des Dschungels wie der Mond, majestätisch und komplett in Weiß gekleidet. Er blickte voll Geduld und Anmut auf Nimam und dies beruhigte Sanuma.
„Viel hat er gelebt und selten gesehen worden ist er“, sagte Yama, „der Ewige Pflanzer von Blumen und Dornen auf unserem Pfad, der Gott der Liebe. Mit seinen Blütenspitzen überwacht er den gewaltigsten Bogen der Welt. Obwohl sie vielleicht nicht von Zuckerrohr und einer Schnur nicht dicker als der Faden vom Netz einer Spinne gemacht worden sind, tragen diese Pfeile das Gift der magischen Verzauberung der Liebe“. Yama´s Worte überraschten und bezauberten Sanuma angenehm. Niemanden fürchtend, erklärte Sanuma ihre Überraschung: „Ich stellte mir immer vor, Sie wären eine Frau!“
„Nein meine Liebe! Frauen vermitteln Leben, weil sie mehr Wissen über Heilmittel in sich tragen zum Weitergeben. Männer nehmen es weg. Uns müssen einige maskulin hergeleitete Merkmale erlaubt werden, von angestammter geerbter Gewalt, die oft in Turnieren, Überlebensjagden und unzähligen Kriegen zum Vorschein treten. Männer bringen immer Tod hervor, soviel wie Frauen Leben schenken.“
„Herr Tod, ich bin Sanuma.“
Yama lächelte und antwortete zärtlich.
„Ich kenne euch beide, Flor do Sonho, seit einer langen Zeit. Ich erinnere mich an vergangene Leben, du nicht. Aber jetzt hat der Pfeil meinen Speer geführt. Nimam´s Tage sind vollständig, und ich kam, um ihn zu suchen.“ Yama setzte eine Hand auf Nimam´s Brust über dem Herzen und entnahm seine Seele, ein Etwas nicht größer als eine Hand, das Yama mit seinem Lasso befestigte. Als Nimam´s Seele eingefangen worden war, atmete sein Körper nicht mehr. Yama kehrte zum Dschungel zurück, aber Sanuma folgte und ging an seiner Seite
„Geh, Flor do Sonho, und bereite das Begräbnis vor.“
„Ich habe ein Sprichwort gehört, dass Sie der erste Mann waren, der starb, und den Pfad des Lebens fand, und nicht wieder gefangen werden kann.“
„Es ist wahr“, sagte Yama, „aber jetzt geh zurück, Flor do Sonho. Du kannst mir jetzt nicht mehr folgen. Du bist frei von jeder Beziehung oder Bindung mit Nimam.“
„Jeder, der eines Tages geboren wird, muss Ihnen eines Tages folgen, Herr. Erlaubt mir, Euch nur ein wenig mehr als ein Freund zu begleiten.“
Yama hielt und drehte sich, um Sanuma langsam zu betrachten. Ihr goldener Körper strahlte den Duft einer Orchidee in den Nebeln des Frühlings aus. Er erinnerte sich an das so unendlich glückliche Paar, nur einige Stunden zuvor beim Wasserfall.
„Du hast recht, Flor do Sonho, du fürchtest mich nicht. Ich akzeptiere – als ein Freund, und im Austausch nimm ein Geschenk von mir an, das ich demütig biete. Aber ich kann Nimam´s Leben nicht zurückbringen.“
„Die Freundschaft wird zusammen nach nur elf Schritten vollendet“, sagte Sanuma, „würde Kina von seiner Blindheit befreit.“
„Es ist schon vollbracht. Jetzt geh zurück, denn du bist müde.“
„Nicht einmal ein Bisschen. Ich war bis zur letzten Minute mit Nimam. Gewähren Sie mir die Erlaubnis, ein wenig mehr mit Ihnen zu gehen.“
„Ich gewähre es. Ich nehme immer weg. Aber es ist gut, fähig zu sein, zu geben. Es ist nicht schwierig, zu geben. Wenn Leben endet, und allen Bedürfnissen wird entsprochen, versteht man, zu geben, was nicht schwierig ist.“
Sie gingen Richtung Norden. Sie kamen zum Rand einer Quelle und Yama gab Sanuma zu trinken, direkt aus seiner Hand. Er bot Sanuma Visionen anderer Leben an. Vergangenheit oder Zukunft, sie hatte nur zu wählen. Sachte lehnte Sanuma das Angebot ab.
„Während des Lebens, Sanuma, gibt es Schmerz, aber nicht mehr im Tod. Das, was mit Schwierigkeit getroffen wird, ist würdig, zu erhalten. Ich habe alles gesehen. Und, ich schließe, dass dieses Wasser nicht reiner ist als dein Herz. Du kämpfst für deine Wünsche, entscheidest, wählst deinen Weg und gibst nicht nach. Du wünschst dir nicht, jemand anderes zu sein. Du besitzt einiges, was ich nie gesehen habe. Du kannst eine weitere Bitte aussprechen, Sanuma, irgendetwas, außer dem Leben von Nimam.“
„Dass mein Vater Ianoama lang in Jatoba leben wird und ein hundert Söhne hat.“
„Er wird“, versicherte Yama, „aber frag mich nach etwas anderem, etwas für dich. Irgendetwas außer dem Leben von Nimam.“
Sanuma antwortete. „Dass auch ich ein hundert Söhne mit meinem Ehemann habe.“
Yama hielt vor einem Ibiratanga Milenar und musste es in Erwägung ziehen. Sanuma wusste nicht, was Yama mehr imponierte, ihre Wörter oder der gigantische Baum mit dem riesigen roten Stamm.
„Flor do Sonho, ohne Nachzudenken, antworte mir. Und sag mir die Wahrheit. Wie wirst du Söhne mit Nimam haben, wenn er tot ist? Aber du dachtest nicht daran…“
„Nein.“
„Ich weiß. Aber er hat kein Leben mehr in sich. Es ist alles vorüber.“
„Alles das Gleiche, Herr, ich bitte um nichts weniger. Ich, die ich halb tot bin, frage nicht so viel vom Himmel.“
Yama seufzte.
„Zwei Sachen halten Männer davon ab, bestimmt zu wissen, was sie machen müssen. Eines ist der Wunsch, der die Intelligenz blendet und Mut kühlt, das andere ist Angst, die bei Bemerken von Gefahr die Trägheit der Handlung vorzieht. Gunst ist nie auf einen Mann der Wahrheit verloren. Ich bin zu allen Männern völlig unparteiisch. Ich weiß mehr von der Wahrheit und der Gerechtigkeit als jeder andere. Ich weiß, dass die ganze Vergangenheit und die ganze Zukunft in Wahrheit verbunden sind. Wie viel ist dein Leben wert ohne Nimam?“
„Nichts Herr, ohne Fröhlichkeit verdient menschliches Leben nicht den Namen Leben.“
„Übergibst du deine halben Tage auf der Erde an mich?“
„Ja, sie sind Ihre. Was bedeutet es zu sterben, jung oder alt, wenn Sie mit ganzem Verstand sagen können, dass Sie nie gelebt haben? Sie können nicht von Leben sprechen, wenn Sie die Vergnügen des Lebens nie geschmeckt haben.“
Plötzlich richtete Yama seinen Blick intensiv auf Sanuma. Sie fühlte die Schwere seiner Augen auf ihrem Körper. Zuletzt sagte Yama:
„Es ist geschehen. Denn Liebe ist stärker als der Tod; länger als das Leben ist die Sehnsucht des Geliebten. Ich nahm deine Tage und überlieferte deinen Ehemann, als er war. Willst du, dass ich dir die Anzahl dieser Tage mitteile?“
„Nein. Niemand weiß die Qual besser als ich von der Verzweiflung, die Zeit in Ihre Richtung laufen zu sehen.“
„Der Geist von Nimam ruht bei dir, Flor do Sonho. Es wird an dir sein, ihn zurückzuführen. Aber bevor du gehst, leiste mir für eine kleine Weile Gesellschaft und ich werde dir die Arbeit der tödlichen Armee der Götter beibringen.“
Sanuma lernte viele Mantras und Beschwörungen. Mantras, die die Seele aus dem Körper ziehen und außerhalb halten können und in der Fläche der Hand pulsierten. Yama enthüllte seinen wahren Namen zu Sanuma, aber er riet ihr, ihn nie wahllos auszusprechen, da er unvorstellbare Zerstörung verursachen konnte. Wenn er enthüllt wird, würde alles was in Wörter gefasst werden kann sofort und für immer verschwinden. Danach entdeckte Sanuma alles, was zu den Shipaya bekannt ist, und wurde mit der Einverleibung dieses Wissens in die tausendjährige Weisheit der Geheimnisse der Xamas anvertraut.
Yama sagte Sanuma Lebewohl und setzte seinen Weg alleine fort, durch das Reich des Todes, wie ein Lasso, das nichts ergreift. Es war schon dunkel, als Sanuma durch ein dunkles, unheimliches Gehölz reiste, wo die Blätter wild im Nachtwind murmelten. Nimam´s Leiche wurde im Sternenlicht gefroren bewahrt. Sie setzte den Kopf ihres Ehemanns auf ihre Brust und wärmte seine Haut mit ihrem zarten Körper. Nimam öffnete seine Augen und schaute Sanuma mit einer Freude an, die ein Aussehen enthielt, das eine tiefe Sehnsucht löschen konnte.
„Ich verbrachte den Tag schlafend, meine Blume. Ich hatte einen seltsamen Traum, in dem ich auf einem schmalen Pfad wegging.
„Das geschah“, sagte Sanuma.
„Es war kein Traum?“
„Nimam, ich kann nur für mich sprechen, niemals für dich. Reden wir, wenn wir nach Hause kommen.“
Yama, der zurückgekommen war, um versteckt im Wald das wiedervereinigte Paar zu sehen, bevor er sie verließ, drehte seinen Blick zur dichten Dunkelheit des Waldes und sagte:
„Warum starrst du mich an, Ewigkeit? Findest du, dass ich in meinem hohen Alter meine Urteilskraft verloren habe? Dieses Ehepaar vermittelte alles, was über die wahre Verzückung des Lebens gesagt werden konnte. Der Versuch, diese Liebe zu unterdrücken, wäre wie das Entwässern eines Strudels von seinem Strom. Warum gibt es immer Unentschlossenheit und Zweifel in Sachen der Liebe?“
Aus der Dunkelheit kam die in ihrer nahezu undurchdringlichen Verkleidung eingewickelte Ewigkeit. Sie ging zusammen mit Yama. Sie erreichten ein steiles Flussufer und setzten sich.
Es liegt in den Strahlen des Mondes, der die ganze Nacht durch existiert, dass wir bei dem wahrsten Herz von allen bleiben, das existiert. Ewigkeit lächelte in den Fluss, der vor ihnen floss. Ein fröhliches Lächeln heiterte ihr Gesicht auf.
„Männer präsentieren ihre Geschichte auf Erden nicht dem der tut und sagt“, sagte Yama, „als mehr im Hinblick auf das was ist“. Der wahre Krieger ist sich seiner Harmonie mit dem Pfad bewusst. Denn ein intensives SEIN wird in einem umfangreichen TUN erkannt. Ohne dieses Wesen, ohne dieses Licht, kann ein Mann alle Sachen von außen sehen und doch nichts begreifen, ebenso wie ein des Lesens und Schreibens Unkundiger die großen Bücher der Menschheit umblättern kann und nichts verstehen.“
„Du musst nichts vor mir rechtfertigen Yama. Ich habe einige Motive für die Liebe, sie ist meine alte Freundin eines anderen Lebens, und sie ging mit mir bevor sie ein wenig fiel. Der Vogel, der sich hinauslehnt, nimmt den Flug auf. Aber erkläre mir eine Sache Yama: Was in diesem verrückten Leben ist so gemacht wie das menschliche Herz?“
„Das Leben ist wie heißes Eisen, formbar, bereit geformt zu werden. Wähle die Form, und Leben wird das Feuer entzünden. Äußerliche Taten haben keine wahre Tapferkeit, sondern die inneren Einstellungen. Um ein Wohltäter der Menschheit zu sein, ist es nur notwendig, gut zu sein.“
Yama blies Staub im Wind weg, fühlte über sich ein Fallen von großen Blättern auf das Gras und brachte eine Frage zu Ewigkeit voran.
„Und du, die die Zeit verachtet, bist du nicht müde, zu existieren?“
„Zeit ist ein endloser Ozean, aber wo trifft sie eine Insel? Leben geht vorbei und ist instabil. Manchmal, Yama, wenn ich den Wind überholen höre, und nur das Geräusch lässt es stattfinden, finde ich, dass es lohnend ist, zu existieren. Ich nehme den natürlichen Egoismus von den Blumen, die nur mit dem Blühen beschäftigt sind.“
„Ewigkeit, du, die erfahrener ist als ich, und die nach meiner Abreise weiterreisen wird, nimm einen Zweifel: Kennt jemand die Zukunft?“
„Niemand kennt die Zukunft, Yama. Wie du habe ich Geduld und Hoffnung, dass Er sich um mein Antreffen kümmert. Die Vergangenheit ist unbewohnbar, aber das Licht von Dämmerung erleuchtet den Widerschein von all den Jahrhunderten; ich habe die Gegenwart als Gesellschaft, einen einmaligen Moment, in dem Menschen unseren Pfad zu unserem Bild und Ähnlichkeit neu erschaffen und wieder beleben können, und all die Farben tragen, und alle Geschmäcker kosten, und die ganze Liebe ohne vorgefasste Meinung oder Sehnsucht sammeln können. Alter, das im Leben flüchtig ist, wird einmalig und ausschließlich gegenwärtig genannt und erfordert die Dauer eines Augenblickes, um vorbeizueilen. Leben besteht in einem Augenblick. Verliere es nicht einmal einen Augenblick, stehe allem, was du dir wünschst schnell gegenüber, denn Glück ist so flüchtig wie der trocknende Tau.“ Und niemand sagte mehr. Der Laut einer sanften Melodie von einem Bach schwebte über der tiefgründigen Ruhe, die in alle Teile fiel, noch bevor die Klänge sie erreichen konnten, und alles wurde so dunkel wie die Mitternacht, still und ruhig, wie wenn ein Gott schläft.
In einem Reich, wo Bienen die Blumen großzügig mit ihren Pollen bestäubten, dort konnten diese so ruhig leben wie die schöne und duftende Blume Sanuma, die bekannt war als Flor do Sonho, Blume der Träume. Sie war so schön und liebenswürdig wie ein großer Baum, der seinen dichten Umhang von delikaten Blättern, seinen Schutz und köstlichen Früchte für alle öffnete. Ein Indianer, dessen Schönheit andere Frauen vulgär machte und die Eitelkeit von ihnen allen beschämte.
Trotz ihrer Gebete hatte Sanuma nie einen Mann getroffen, der sie interessierte, denn sie waren alle skandalös, unbrauchbar und eitel, aufgeblasen vor Stolz und schwer auf den Augen. Eines Tages, ermüdet von ihrer Einsamkeit, sagte Sanuma ihrem Vater: „Großer Meister und Vater Ianoama, Oberhaupt des Stammes der Ianomami, ich weiß, dass ich Gehorsam zeigen muss, aber ich wünsche mir, mein Schicksal zu treffen. Ich werde fortgehen und komme nicht zurück, bis ich meinen Gefährten gefunden habe.“
Ihr Vater protestierte nicht. Er dachte an die große Station ihrer Geburt und auch die anhaltende Periode von Frieden und Gemeinschaft mit den benachbarten Stämmen. Keine Hindernisse findend, erlaubte Ianoama die Abreise seiner Tochter. Er wählte ein Gefolge aus, sie zu begleiten: einen Führer, einen Jäger, einen Seher, der die Fähigkeit hatte, sich in allen Sprachen der Menschen, Pflanzen und Tiere zu verständigen und einen Schamanen, mit dem größten Ruhm im ganzen Amazonasdschungel, um Mitteilungen durch Träume und Xama Shypaia zu senden.
Durchdrungen von ihrem Wunsch und sich sehnend durchsuchte Sanuma den größten Teil der verschiedenen Stämmen und Dörfer, um jemanden zu finden, der ihren Durst auf Liebe zu stillen vermochte. Sie beschloss, die Weiten jenseits der Grenzen ihres Reiches zu erforschen und die mit den dichtesten bekannten Dschungeln ausgestatteten Berge. Sie trat in den tausendjährigen Dschungel ein, wo die Wurzeln lang waren, und jeder Baum sich unter dem Gewicht seiner üppigen Blüten beugte, welche zartfühlend ihr Erscheinen bei den Göttern oszillierten.
Dort traf sie den Bara-Stamm, der sich in das Herz des Dschungels zurückgezogen hatte, nachdem Oberhaupt Kina sein Sehvermögen verloren hatte und seinen Stamm durch seinen Geruchssinn führte. Als sie den Jäger Nimam sah, Sohn des Kina, blickten sie sich in die Augen, der eine dem anderen, verlangend jeder den anderen für die Ewigkeit zu sehen; Sanuma nahm sofort in den Augen von Nimam wahr, dass ihre Suche beendet war.
Eine Woche zusammen war mehr als genug für Sanuma, um absolut überzeugt zu sein, dass Nimam die Antwort zu all ihren Fragen und das Schicksal ihrer gesamten Reise war. Im Gegenzug erkannte Nimam sofort in Sanuma einen Pfad zum Paradies, der nur von den Göttern beschritten wurde. Auf dem Angesicht der Erde würde es nie eine Trennung zwischen ihnen geben können.
Sanuma kehrte zurück, um ihrem Vater von ihrer Entscheidung, Nimam als ihren Gefährten zu nehmen, und im Herzen des Dschungels zu wohnen, zu berichten. Ianoama verzweifelte zuerst nur, wenn er an die Trennung von seiner einzigen Tochter dachte, aber fand Frieden in dem Wissen, dass dieser Mut, der vom Herzen genährt wird, unschlagbar ist. Er besuchte Shypaia den Schamanen, der Sanuma begleitet hatte, und forderte Informationen über Nimam.
„Ianoama“, sagte Shypaia, „Er wurde im Herzen des Dschungels geboren, wo er seitdem gelebt hat. Der Name seines Vaters ist Kina, Oberhaupt des Bara-Stammes. Er ist gutherzig und loyal. Schön wie der Mond besitzt er die Energie und die Kraft der Sonne. Er ist so großzügig wie Gaia und hat den Mut eines Jaguarjungen, und ist so geduldig wie die Zeit. Er besitzt nur einen Mangel und keinen anderen: genau in einem Jahr wird Nimam sterben.“
Der Häuptling traf sich mit seiner Tochter und enthüllte ihr die Wörter von Shypaia und schlug vor, dass sie ihre Wahl änderte.
„Heirate nicht ins Elend, Tochter.“
Sanuma antwortete, „es gibt keine andere Wahl mein Vater. Ob sein Leben kurz oder lang ist, ich werde Nimam als den Gefährten meines Herzens nehmen.“
Konfrontiert mit der Entschlossenheit seiner Tochter, wurde Ianoama still und angesichts der kurzen Zeit, die dem Leben seines künftigen Schwiegersohnes noch bleiben würde, bereitete er zügig Vorbereitungen für den folgenden Morgen vor. Er würde seine Tochter bei ihrer Rückkehr zum Herzen des Dschungels begleiten, um an den Festlichkeiten teilzuhaben, die für das Ehepaar gehalten würden. Oberhaupt Kina bemerkte als erster die Rückkehr von Sanuma, mit ihrer fröhlichen und sanften Stimme gleich einem Vogels zu Tagesanbruch, ein Wispern im Wind, nur hörbar für Kina. Wie wird so ein süßes Mädchen fähig sein, so dicht in einem Dschungel zu wohnen?
„Nimam mein Sohn, erkläre es deinem alten Vater. Wie wirst du sie unterstützen, um im Dschungel zu wohnen?“
„Mein weiser Vater, sie weiß ebenso wie ich, wie Freude und Trauer ihrem Ablauf folgen, wo immer wir je sind. Bitte beschäme mich nicht mein Vater. Zerstöre
nicht die Hoffnungen des Mädchens.“
Der Auftrieb der Leidenschaft verwirrt den Verstand, und nur Zeit schafft es, unsere Herzen freizulassen. Liebe ist schwieriger zu fangen als ein Kolibri. Davon wussten Kina und Ianoama und ohne Verzögerung vervollständigten sie die Zeremonie der Vereinigung ihrer Kinder. Wenn das Beste mit dem Besten verbunden wird, kann Glück nicht vermieden werden. Reichlich ausgestattet mit Liebe und gnädigen Tagen in denen Freude immer nah war, ging das restliche Jahr von Nimam´s Leben so schnell vorbei wie ein fallender Stern. Wer weiß besser von der Untätigkeit der Zeit als ein Opfer der Liebe?
Sanuma behielt ihr Geheimnis für sich und ruhte sich nur aus, um die Tage zu zählen, die wie Sand durch ihre Finger flossen. Erst wenn sie alleine war, würde sie ruhen.
Am Tag vor dem Eintritt des Todes fiel Sanuma nicht in Schlaf; sie verbrachte die Nacht wachend um ihren Ehemann zu betrachten bis er erwachte.
Sie machte ihm Kaffee am Morgen. Sie präsentierte Fruchtbrot, Honig von Jatai (einer kleinen feinen Biene), Kaffee, Graviola der Macarunda, lieb wie die Morgenbrise, Sonnenblumenkerne rösteten in der Sonne, und Cashewnüsse brieten über Brennholz von Ipe. Sanuma konnte nichts essen; ihre Gedanken fuhren fort zu wandern, als ob in einem Zimmer auf einer Tafel zu lesen wäre „HEUTE IST DER TAG“.
Als die Sonne eine Hand hoch war entschied sich Nimam auf die Jagd zu gehen. Sanuma drängte sich auf, ihn zu begleiten und versuchte seine Pläne zu ändern. Anstelle der Jagd willigte Nimam ein, zusammen mit ihr beim Wasserfall Fische zu fangen.
Die dichten steilen Pfade zwischen den Hügeln enthüllten Ausblicke in die weiche, helle Sonne, die den tiefen Dschungel durchdrang. Nachdem sie zwei Hügel von beträchtlichem Ausmaß überquert hatten, erschienen die Wasserfälle von Jeribucaçu vor ihnen, eines magischen Flusses, ein Band der Liebe zwischen den Ozeanen. Aber das ist eine andere Geschichte, und jetzt erzählen wir das Drama von Sanuma, Flor do Sonho, und von ihrer mutigen Begegnung mit Yama, dem Herrn des Todes. Dem, vor dem man fliehen sollte und alle Gefahren vermeiden.
Wir kehren zurück zu Jeribucaçu und seinen Stromschnellen, dem größten Wasserfall des tausendjährigen Dschungels. Mit seinem warmen Wasser und von Erzen geschmückter Farbe war er eine unwiderstehliche Einladung hineinzutauchen.
Sie sprangen, sie schwammen, und spielten. Die Ewigkeit hielt niemals so die Zeit auf dem Planeten an wie in diesem Moment zwischen den beiden. Ach, Ewigkeit. Sie hält ihre Wurzeln von den Reichweiten der Männer fern. Yama kümmerte sich inzwischen um das Glück des Ehepaares. Ein Glück, das Orchideen dazu bringen konnte, in der Wüste zu blühen. Ahnungslos über die Zuschauer, voll von Süße, beobachtete Sanuma alle Nuancen von Nimam´s Seele.
Als er aus dem Wasser herauskam, empfand Nimam Kühle. Er trocknete seinen Körper mit einem Stoff, genommen von der Marcela Pflanze, und empfand Kopfschmerzen. Er lag an Sanuma´s Brust. Das Licht störte und brannte seine Augen. Dieses wahrnehmend, beschattete ihn Sanuma mit ihrem Gesicht, und dieser Schatten erlaubte Nimam seine letzte Vision: das intensive Licht von Sanuma´s Augen.
Beim Schließen seiner Augen veränderte sich sein Gesicht und erbleichte für einen Moment. Kurz kam die Farbe auf sein Gesicht zurück und mit seinem Kopf zu Sanuma gewandt ging Nimam ruhig dazu über zu schlafen. Sanuma murmelte mit einer traurigen, rhythmischen Stimme Huldigungen von Liebe und Qual an den Indianer, der ihre Seele und ihre Stille gestohlen hatte.
Vom Dschungel aus beobachtete ein großer, starker Mann Sanuma mit festen, dunklen Augen. Plötzlich merkte Sanuma seinen glänzenden Funken wie die Reflektion der Sonne auf einem See in einem sprühenden Gemälde, wie Edelsteine und Perlen, die seinen Körper bedecken. Yama stand über dem Meer des Dschungels wie der Mond, majestätisch und komplett in Weiß gekleidet. Er blickte voll Geduld und Anmut auf Nimam und dies beruhigte Sanuma.
„Viel hat er gelebt und selten gesehen worden ist er“, sagte Yama, „der Ewige Pflanzer von Blumen und Dornen auf unserem Pfad, der Gott der Liebe. Mit seinen Blütenspitzen überwacht er den gewaltigsten Bogen der Welt. Obwohl sie vielleicht nicht von Zuckerrohr und einer Schnur nicht dicker als der Faden vom Netz einer Spinne gemacht worden sind, tragen diese Pfeile das Gift der magischen Verzauberung der Liebe“. Yama´s Worte überraschten und bezauberten Sanuma angenehm. Niemanden fürchtend, erklärte Sanuma ihre Überraschung: „Ich stellte mir immer vor, Sie wären eine Frau!“
„Nein meine Liebe! Frauen vermitteln Leben, weil sie mehr Wissen über Heilmittel in sich tragen zum Weitergeben. Männer nehmen es weg. Uns müssen einige maskulin hergeleitete Merkmale erlaubt werden, von angestammter geerbter Gewalt, die oft in Turnieren, Überlebensjagden und unzähligen Kriegen zum Vorschein treten. Männer bringen immer Tod hervor, soviel wie Frauen Leben schenken.“
„Herr Tod, ich bin Sanuma.“
Yama lächelte und antwortete zärtlich.
„Ich kenne euch beide, Flor do Sonho, seit einer langen Zeit. Ich erinnere mich an vergangene Leben, du nicht. Aber jetzt hat der Pfeil meinen Speer geführt. Nimam´s Tage sind vollständig, und ich kam, um ihn zu suchen.“ Yama setzte eine Hand auf Nimam´s Brust über dem Herzen und entnahm seine Seele, ein Etwas nicht größer als eine Hand, das Yama mit seinem Lasso befestigte. Als Nimam´s Seele eingefangen worden war, atmete sein Körper nicht mehr. Yama kehrte zum Dschungel zurück, aber Sanuma folgte und ging an seiner Seite
„Geh, Flor do Sonho, und bereite das Begräbnis vor.“
„Ich habe ein Sprichwort gehört, dass Sie der erste Mann waren, der starb, und den Pfad des Lebens fand, und nicht wieder gefangen werden kann.“
„Es ist wahr“, sagte Yama, „aber jetzt geh zurück, Flor do Sonho. Du kannst mir jetzt nicht mehr folgen. Du bist frei von jeder Beziehung oder Bindung mit Nimam.“
„Jeder, der eines Tages geboren wird, muss Ihnen eines Tages folgen, Herr. Erlaubt mir, Euch nur ein wenig mehr als ein Freund zu begleiten.“
Yama hielt und drehte sich, um Sanuma langsam zu betrachten. Ihr goldener Körper strahlte den Duft einer Orchidee in den Nebeln des Frühlings aus. Er erinnerte sich an das so unendlich glückliche Paar, nur einige Stunden zuvor beim Wasserfall.
„Du hast recht, Flor do Sonho, du fürchtest mich nicht. Ich akzeptiere – als ein Freund, und im Austausch nimm ein Geschenk von mir an, das ich demütig biete. Aber ich kann Nimam´s Leben nicht zurückbringen.“
„Die Freundschaft wird zusammen nach nur elf Schritten vollendet“, sagte Sanuma, „würde Kina von seiner Blindheit befreit.“
„Es ist schon vollbracht. Jetzt geh zurück, denn du bist müde.“
„Nicht einmal ein Bisschen. Ich war bis zur letzten Minute mit Nimam. Gewähren Sie mir die Erlaubnis, ein wenig mehr mit Ihnen zu gehen.“
„Ich gewähre es. Ich nehme immer weg. Aber es ist gut, fähig zu sein, zu geben. Es ist nicht schwierig, zu geben. Wenn Leben endet, und allen Bedürfnissen wird entsprochen, versteht man, zu geben, was nicht schwierig ist.“
Sie gingen Richtung Norden. Sie kamen zum Rand einer Quelle und Yama gab Sanuma zu trinken, direkt aus seiner Hand. Er bot Sanuma Visionen anderer Leben an. Vergangenheit oder Zukunft, sie hatte nur zu wählen. Sachte lehnte Sanuma das Angebot ab.
„Während des Lebens, Sanuma, gibt es Schmerz, aber nicht mehr im Tod. Das, was mit Schwierigkeit getroffen wird, ist würdig, zu erhalten. Ich habe alles gesehen. Und, ich schließe, dass dieses Wasser nicht reiner ist als dein Herz. Du kämpfst für deine Wünsche, entscheidest, wählst deinen Weg und gibst nicht nach. Du wünschst dir nicht, jemand anderes zu sein. Du besitzt einiges, was ich nie gesehen habe. Du kannst eine weitere Bitte aussprechen, Sanuma, irgendetwas, außer dem Leben von Nimam.“
„Dass mein Vater Ianoama lang in Jatoba leben wird und ein hundert Söhne hat.“
„Er wird“, versicherte Yama, „aber frag mich nach etwas anderem, etwas für dich. Irgendetwas außer dem Leben von Nimam.“
Sanuma antwortete. „Dass auch ich ein hundert Söhne mit meinem Ehemann habe.“
Yama hielt vor einem Ibiratanga Milenar und musste es in Erwägung ziehen. Sanuma wusste nicht, was Yama mehr imponierte, ihre Wörter oder der gigantische Baum mit dem riesigen roten Stamm.
„Flor do Sonho, ohne Nachzudenken, antworte mir. Und sag mir die Wahrheit. Wie wirst du Söhne mit Nimam haben, wenn er tot ist? Aber du dachtest nicht daran…“
„Nein.“
„Ich weiß. Aber er hat kein Leben mehr in sich. Es ist alles vorüber.“
„Alles das Gleiche, Herr, ich bitte um nichts weniger. Ich, die ich halb tot bin, frage nicht so viel vom Himmel.“
Yama seufzte.
„Zwei Sachen halten Männer davon ab, bestimmt zu wissen, was sie machen müssen. Eines ist der Wunsch, der die Intelligenz blendet und Mut kühlt, das andere ist Angst, die bei Bemerken von Gefahr die Trägheit der Handlung vorzieht. Gunst ist nie auf einen Mann der Wahrheit verloren. Ich bin zu allen Männern völlig unparteiisch. Ich weiß mehr von der Wahrheit und der Gerechtigkeit als jeder andere. Ich weiß, dass die ganze Vergangenheit und die ganze Zukunft in Wahrheit verbunden sind. Wie viel ist dein Leben wert ohne Nimam?“
„Nichts Herr, ohne Fröhlichkeit verdient menschliches Leben nicht den Namen Leben.“
„Übergibst du deine halben Tage auf der Erde an mich?“
„Ja, sie sind Ihre. Was bedeutet es zu sterben, jung oder alt, wenn Sie mit ganzem Verstand sagen können, dass Sie nie gelebt haben? Sie können nicht von Leben sprechen, wenn Sie die Vergnügen des Lebens nie geschmeckt haben.“
Plötzlich richtete Yama seinen Blick intensiv auf Sanuma. Sie fühlte die Schwere seiner Augen auf ihrem Körper. Zuletzt sagte Yama:
„Es ist geschehen. Denn Liebe ist stärker als der Tod; länger als das Leben ist die Sehnsucht des Geliebten. Ich nahm deine Tage und überlieferte deinen Ehemann, als er war. Willst du, dass ich dir die Anzahl dieser Tage mitteile?“
„Nein. Niemand weiß die Qual besser als ich von der Verzweiflung, die Zeit in Ihre Richtung laufen zu sehen.“
„Der Geist von Nimam ruht bei dir, Flor do Sonho. Es wird an dir sein, ihn zurückzuführen. Aber bevor du gehst, leiste mir für eine kleine Weile Gesellschaft und ich werde dir die Arbeit der tödlichen Armee der Götter beibringen.“
Sanuma lernte viele Mantras und Beschwörungen. Mantras, die die Seele aus dem Körper ziehen und außerhalb halten können und in der Fläche der Hand pulsierten. Yama enthüllte seinen wahren Namen zu Sanuma, aber er riet ihr, ihn nie wahllos auszusprechen, da er unvorstellbare Zerstörung verursachen konnte. Wenn er enthüllt wird, würde alles was in Wörter gefasst werden kann sofort und für immer verschwinden. Danach entdeckte Sanuma alles, was zu den Shipaya bekannt ist, und wurde mit der Einverleibung dieses Wissens in die tausendjährige Weisheit der Geheimnisse der Xamas anvertraut.
Yama sagte Sanuma Lebewohl und setzte seinen Weg alleine fort, durch das Reich des Todes, wie ein Lasso, das nichts ergreift. Es war schon dunkel, als Sanuma durch ein dunkles, unheimliches Gehölz reiste, wo die Blätter wild im Nachtwind murmelten. Nimam´s Leiche wurde im Sternenlicht gefroren bewahrt. Sie setzte den Kopf ihres Ehemanns auf ihre Brust und wärmte seine Haut mit ihrem zarten Körper. Nimam öffnete seine Augen und schaute Sanuma mit einer Freude an, die ein Aussehen enthielt, das eine tiefe Sehnsucht löschen konnte.
„Ich verbrachte den Tag schlafend, meine Blume. Ich hatte einen seltsamen Traum, in dem ich auf einem schmalen Pfad wegging.
„Das geschah“, sagte Sanuma.
„Es war kein Traum?“
„Nimam, ich kann nur für mich sprechen, niemals für dich. Reden wir, wenn wir nach Hause kommen.“
Yama, der zurückgekommen war, um versteckt im Wald das wiedervereinigte Paar zu sehen, bevor er sie verließ, drehte seinen Blick zur dichten Dunkelheit des Waldes und sagte:
„Warum starrst du mich an, Ewigkeit? Findest du, dass ich in meinem hohen Alter meine Urteilskraft verloren habe? Dieses Ehepaar vermittelte alles, was über die wahre Verzückung des Lebens gesagt werden konnte. Der Versuch, diese Liebe zu unterdrücken, wäre wie das Entwässern eines Strudels von seinem Strom. Warum gibt es immer Unentschlossenheit und Zweifel in Sachen der Liebe?“
Aus der Dunkelheit kam die in ihrer nahezu undurchdringlichen Verkleidung eingewickelte Ewigkeit. Sie ging zusammen mit Yama. Sie erreichten ein steiles Flussufer und setzten sich.
Es liegt in den Strahlen des Mondes, der die ganze Nacht durch existiert, dass wir bei dem wahrsten Herz von allen bleiben, das existiert. Ewigkeit lächelte in den Fluss, der vor ihnen floss. Ein fröhliches Lächeln heiterte ihr Gesicht auf.
„Männer präsentieren ihre Geschichte auf Erden nicht dem der tut und sagt“, sagte Yama, „als mehr im Hinblick auf das was ist“. Der wahre Krieger ist sich seiner Harmonie mit dem Pfad bewusst. Denn ein intensives SEIN wird in einem umfangreichen TUN erkannt. Ohne dieses Wesen, ohne dieses Licht, kann ein Mann alle Sachen von außen sehen und doch nichts begreifen, ebenso wie ein des Lesens und Schreibens Unkundiger die großen Bücher der Menschheit umblättern kann und nichts verstehen.“
„Du musst nichts vor mir rechtfertigen Yama. Ich habe einige Motive für die Liebe, sie ist meine alte Freundin eines anderen Lebens, und sie ging mit mir bevor sie ein wenig fiel. Der Vogel, der sich hinauslehnt, nimmt den Flug auf. Aber erkläre mir eine Sache Yama: Was in diesem verrückten Leben ist so gemacht wie das menschliche Herz?“
„Das Leben ist wie heißes Eisen, formbar, bereit geformt zu werden. Wähle die Form, und Leben wird das Feuer entzünden. Äußerliche Taten haben keine wahre Tapferkeit, sondern die inneren Einstellungen. Um ein Wohltäter der Menschheit zu sein, ist es nur notwendig, gut zu sein.“
Yama blies Staub im Wind weg, fühlte über sich ein Fallen von großen Blättern auf das Gras und brachte eine Frage zu Ewigkeit voran.
„Und du, die die Zeit verachtet, bist du nicht müde, zu existieren?“
„Zeit ist ein endloser Ozean, aber wo trifft sie eine Insel? Leben geht vorbei und ist instabil. Manchmal, Yama, wenn ich den Wind überholen höre, und nur das Geräusch lässt es stattfinden, finde ich, dass es lohnend ist, zu existieren. Ich nehme den natürlichen Egoismus von den Blumen, die nur mit dem Blühen beschäftigt sind.“
„Ewigkeit, du, die erfahrener ist als ich, und die nach meiner Abreise weiterreisen wird, nimm einen Zweifel: Kennt jemand die Zukunft?“
„Niemand kennt die Zukunft, Yama. Wie du habe ich Geduld und Hoffnung, dass Er sich um mein Antreffen kümmert. Die Vergangenheit ist unbewohnbar, aber das Licht von Dämmerung erleuchtet den Widerschein von all den Jahrhunderten; ich habe die Gegenwart als Gesellschaft, einen einmaligen Moment, in dem Menschen unseren Pfad zu unserem Bild und Ähnlichkeit neu erschaffen und wieder beleben können, und all die Farben tragen, und alle Geschmäcker kosten, und die ganze Liebe ohne vorgefasste Meinung oder Sehnsucht sammeln können. Alter, das im Leben flüchtig ist, wird einmalig und ausschließlich gegenwärtig genannt und erfordert die Dauer eines Augenblickes, um vorbeizueilen. Leben besteht in einem Augenblick. Verliere es nicht einmal einen Augenblick, stehe allem, was du dir wünschst schnell gegenüber, denn Glück ist so flüchtig wie der trocknende Tau.“ Und niemand sagte mehr. Der Laut einer sanften Melodie von einem Bach schwebte über der tiefgründigen Ruhe, die in alle Teile fiel, noch bevor die Klänge sie erreichen konnten, und alles wurde so dunkel wie die Mitternacht, still und ruhig, wie wenn ein Gott schläft.
Um alo
Leitores:
Fico feliz com a receptividade que o blog ta tendo.
Primeiro coloquei no meu MSN e depois no Facebook.
To esperando conseguir baixar uns desenhos para divulgar o blog para meus amigos do Orkut.
Os proximos posts sera a traduçao de Sanuma em Alemao e em Espanhol, internacionalizando ainda mais o nosso blog.
Aos que me visitam e tem algum conhecimento de ingles sugiro a leitura do poema Fisherman Illusions e participe da votaçao!
Valeu a visita!
Aloha!
Leo
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Leo
Sanuma em Portugues
É melhor inflamar-se, ainda que
Apenas por um momento, do que arder eternamente de
desejo.
Mahabharata
Sanumá, a Flor do Sonho
Em um reino onde as uruçus amarelas carregadas de néctar repousavam sobre flores em toda a parte, ninguém jamais vira flor tão linda e perfumada como Sanumá, também conhecida como Flor do Sonho. Era bela e bondosa como uma árvore gigante que abre sua frondosa capa de folhas delicadas e oferece a sua sombra e frutos adocicados a todos. Uma índia cuja beleza fazia com que as outras mulheres parecessem vulgares, envergonhando a vaidade de todas.
Apesar de seus encantos, Sanumá nunca encontrou um homem que a interessasse, por serem todos desgraciosos, fúteis e vaidosos, inchados de orgulho e rígidos em sua oca presunção. Um dia, cansada da sua solidão, Sanumá comunicou ao pai, cacique da imensa nação Ianomâmi:
- Grande Mestre e Pai Ianoama, sei que lhe devo obediência, mas desejo ir ao encontro de meu destino. Partirei e não retornarei antes de encontrar meu companheiro.
O pai não se opôs. Sabia dos extensos limites da sua nação e mesmo as tribos vizinhas viviam um período prolongado de paz e confraternização entre elas. Sem colocar obstáculos, Ianoama permitiu a partida da filha. Selecionou a comitiva que a acompanharia: um rastreador, um caçador, um sonhador, que tem a habilidade de se comunicar em todas as línguas humanas, dos animais e vegetais, além de enviar mensagens através dos sonhos, e o Xamã Shypaia, um pajé de renome por toda floresta Amazônica.
Imbuída do seu desejo e vontade, Sanumá percorreu as mais variadas tribos e tabas a procura de alguém que aplacasse a sua sede de amor. Decidiu explorar além dos limites do seu reino e adentrou nas montanhas inchadas com as mais densas florestas que se conhece. Entrou na floresta milenar, onde as raízes são longas e cada árvore se curva sob o peso de sua florescência e oscila delicadamente na atmosfera dos Deuses.
Lá encontrou a tribo Bará, que se retirou para o âmago da floresta depois que o cacique Kinã perdeu a visão e passou a guiar sua tribo pelo olfato. Quando avistou Ninam, guerreiro e caçador, filho de Kinã, ambos se olharam e olharam-se nos olhos um do outro, e cada um desejou olhar para lá eternamente; Sanumá percebeu imediatamente nos olhos de Ninam que sua busca havia terminado.
Uma semana juntos foi mais que suficiente para Sanumá ter a mais absoluta convicção que Ninam era a resposta de todas as suas perguntas, o destino de todos os seus caminhos. Quanto a Ninam, logo reconheceu em Sanumá o caminho que leva ao paraíso e é usado somente pelos Deuses. Não haveria poder na face da Terra que os separaria.
Sanumá retornou para comunicar ao pai sua decisão de ter Ninam como companheiro e de sua disposição de viver no cerne da floresta. Ianoama a princípio se desesperou somente em pensar na separação de sua única filha, mas ficou calado porque sabia que a coragem que é alimentada pelo amor é imbatível. Procurou Shypaia, xamã que havia acompanhado a busca de Sanumá, e pediu informações sobre Ninam.
- Ianoama – disse Shypaia – Ele nasceu no cerne da floresta, onde vive desde então. Seu pai se chama Kinã, cacique da tribo Bará. Ele é bondoso e leal. Belo como a Lua, possui a energia e o vigor do Sol. É generoso como Gaia e tem a coragem de uma onça parida, ao mesmo tempo em que é paciente como o Tempo. Possui apenas um defeito e nenhum outro: dentro de exatamente um ano Ninam morrerá.
O cacique se encontrou com a filha e revelou as palavras de Shypaia e sugeriu que ela mudasse de idéia:
- Não te case para sua infelicidade, filha.
Sanumá contestou:
- Duas vezes não escolherei meu pai. Seja a sua vida curta ou longa, já tomei Ninam como companheiro em meu coração.
Diante da determinação da filha, Ianoama se calou. Devido ao pouco tempo que restava de vida do futuro genro, apressou os preparativos da partida que foi marcada para a manhã seguinte. Acompanharia a filha ao seu retorno ao âmago da floresta a fim de participar da festa de enlace do casal.
O cacique Kinã foi o primeiro a perceber o retorno de Sanumá. A sua voz alegre e límpida como o canto de um pássaro ao amanhecer veio trazido pelo vento até os sensíveis ouvidos de Kinã, que ficou preocupado. Como uma menina tão doce poderia viver na floresta tão densa?
- Ninam, meu filho, escuta seu velho pai. Como ela suportará viver na floresta?
- Meu sábio pai, tanto ela como eu sabemos que a alegria e o pranto seguem seu curso onde quer que estejamos. Não me desconsidere meu pai. Não destrua as minhas esperanças.
O ímpeto das paixões perturba os pensamentos e somente o Tempo consegue desatar os nós do coração. O amor é mais difícil de domar que um beija-flor. Tanto Kinã quanto Ianoama sabiam disso e sem demora realizaram a cerimônia de união de seus filhos. Quando o melhor se une ao melhor não pode deixar de haver felicidade. Repletos de amor e graças a dias onde a alegria sempre se fazia presente, o ano restante da vida de Ninam transcorreu tão rápido como o cair de uma estrela. O que sabe sobre o vagar do Tempo uma vítima do amor?
Sanumá mantinha consigo o seu segredo e só lhe restava contar os dias, que escorriam como areia entre os dedos. Até que só restou o derradeiro. Na véspera da chegada da Morte, Sanumá não conseguia dormir, passou a noite acordada a observar o marido, até de madrugada.
Preparou-lhe um lauto café da manhã. Abiu, fruta-pão, mel de Jataí, frutos de Maçaranduba, uma graviola bem madura, suco de mastruz, siriguelas vermelhas e doces como a brisa das manhãs, sementes de girassol tostadas ao sol e castanhas de caju assadas na lenha de Ipê. Sanumá nada conseguia comer, seus pensamentos continuavam trancados naquela sala onde tem uma tabuleta na porta escrita: “É HOJE O DIA”.
Quando o sol estava a um palmo de altura, Ninam decidiu sair para caçar. A insistência de Sanumá em acompanhá-lo o fez mudar os planos e ao invés de caçar, Ninam decidiu apanhar alguns peixes na cachoeira junto com ela. As trilhas densas por entre os morros eram desvendadas aos olhos através do suave brilho do sol que conseguia penetrar na floresta. Após atravessar dois morros de considerável tamanho, eis que aparece ela: a cachoeira do Jeribucaçú, um Rio mágico, elo do amor de dois oceanos..., mas isto já é uma outra história e agora estamos contando o drama de Sanumá, a Flor do Sonho, e de seu breve encontro com Yama, o senhor da Morte. Ele, que até o perigo foge e se esquiva... Retornaremos ao Jeribucaçú e a sua cachoeira, uma queda d’água maior do que qualquer árvore milenar. Com suas águas quentes e ferruginosas de cor dourada era um ostensivo convite ao mergulho. Pularam, nadaram, brincaram. Nunca a Eternidade se deteve tanto tempo neste planeta como naquele momento entre os dois. Ah, a Eternidade... Ela tem suas raízes fora do alcance dos homens. Yama também acompanhava a alegria do casal. Uma alegria que faria brotar orquídeas no deserto. Alheio a todos estes espectadores e cheia de doçura, Sanumá observava todas as nuances do espírito de Ninam.
Quando saíram da água, Ninam sentiu calafrios. Secou seu corpo com algodão extraído de um pé de Marcela e sentiu a cabeça latejar. Deitou no colo de Sanumá. A luz o perturbava e fazia arder seus olhos. Percebendo isso, Sanumá fez sombra com seu rosto e esta sombra permitiu Ninam a ter sua última visão: o intenso brilho dos olhos de Sanumá. Ao fechar os olhos, seu rosto se retorceu e empalideceu por um momento. Aos poucos, a cor voltava para a sua face e com a cabeça no colo de Sanumá, Ninam adormeceu serenamente. Sanumá com a voz triste e ritmada sussurrou homenagens de amor e agonia ao índio que lhe roubou a calma e a alma.
Do interior da floresta, um homem alto e forte observava Sanumá com os olhos escuros e fixos. Logo Sanumá percebeu sua unha brilhante como reflexos de sol no lago e uma pintura cintilante como o brilho das jóias e pérolas cobriam seu corpo. Yama saiu de dentro da floresta como a Lua saindo do mar: majestoso e todo vestido de branco. Tinha para Ninam um olhar de grande paciência e bondade e isto tranqüilizou Sanumá.
-É, muito se vive, pouco se vê – disse Yama – Eterno plantador de flores e espinhos no nosso caminho, o Deus do Amor. Com suas flechas com pontas em flor detém o mais poderoso arco do mundo. Ainda que seja feito de cana de açúcar e a sua corda não seja mais grossa do que um fio de teia de aranha, o veneno destas flechas carrega o mágico encantamento do amor.
As palavras de Yama surpreenderam e encantaram Sanumá pela suavidade. Sem nenhum medo Sanumá declarou sua surpresa:
- Sempre achei que você seria uma mulher!
- Não irmãzinha! As mulheres trazem a Vida porque têm mais sabedoria para transmitir aos Curumins. Os homens levam. Devemos relevar algumas atitudes masculinas devido a esta ancestral violência hereditária, muitas vezes reprimidas em saudáveis torneios, necessárias caçadas e em inonimáveis guerras. Dos homens sempre brotará a Morte, enquanto nas mulheres floresce a Vida.
- Senhor Morte, eu sou Sanumá.
Yama sorriu e respondeu com brandura:
- Eu conheço vocês dois, Flor do Sonho, desde há muito tempo. As outras vidas eu as recordo, você não; mas agora está lançada a flecha da minha tutela. Os dias de Ninam estão completos e eu vim buscá-lo.
Yama colocou a mão no peito de Ninam na altura do coração e arrancou a sua alma, um ente não maior que seu dedo, que Yama amarrou em seu laço. Quando a alma de Ninam tinha sido guardada, seu corpo não respirou mais. Yama se retirou para a floresta, mas Sanumá o seguiu, caminhando ao seu lado. Ele parou e disse:
- Volte, Flor do Sonho, e prepare o funeral.
-Ouvi dizer que você foi o primeiro homem a morrer que encontrou o caminho da morada que não pode mais ser tomada.
- É verdade – disse Yama -, mas agora volte, Flor do Sonho. Não pode me seguir além daqui. Está livre de qualquer compromisso ou elo com Ninam.
- Todos os que nascem devem um dia segui-lo, senhor. Permita-me lhe acompanhar apenas um pouco mais, como sua amiga.
Yama parou e, virando lentamente, viu Sanumá. De seu corpo dourado exalava o odor de uma orquídea ao orvalho da primavera. Recordou do casal infinitamente feliz há apenas algumas horas atrás na cachoeira.
- Você tem razão, Flor do Sonho, você não tem medo de mim. Aceito-a como amiga, e aceite também em troca uma dádiva minha, o que eu puder lhe dar. Mas não posso devolver a vida de Ninam.
- A amizade só se consuma após onze passos dados juntos – disse Sanumá – Que a cegueira de Kinã o abandone.
- Já o abandonou. Agora volte, pois está cansada.
- Nem um pouco. Estou com Ninam pela última vez. Dê-me permissão para caminhar com você mais um pouco.
- Eu a dou. Eu sempre tiro, mas é bom poder dar. Não é difícil dar. Quando a vida finda e tudo precisa ser entregue, se compreende que dar não é difícil.
Caminharam rumo ao Norte e chegaram a beira de uma nascente; Yama deu de beber a Sanumá de sua própria mão. Ofereceu a Sanumá visões de outras vidas dela. Passadas ou vindouras, era só escolher. Gentilmente Sanumá recusou o regalo.
- Durante a vida, Sanumá, existe dor, mas nenhuma na morte. O que é muito difícil é encontrar alguém digno de receber. Eu já vi a todos. E, contudo esta água não é mais límpida que seu coração. Você luta pelo que deseja, você decide, escolhe seu caminho e não se abate. Não deseja ser nenhuma outra pessoa. Há muito que não vejo isso. Pode fazer outro pedido Sanumá, tudo menos a vida de Ninam.
- Que meu pai Ianoama viva tanto quanto um Jatobá e tenha uma centena de filhos.
- Ele os terá – assegurou Yama – mas me peça algo mais, algo para si mesma. Tudo menos a vida de Ninam.
Sanumá respondeu:
-Que eu tenha também cem filhos do meu marido.
Yama parou diante de uma Ibirapitanga milenar e ficou a contemplá-la. Sanumá não sabia dizer o que impressionara Yama: se suas palavras ou gigantesca árvore de grosso tronco vermelho.
- Flor do Sonho, sem pensar você me respondeu. E falou a verdade. Como há de ter filhos com Ninam se ele está morto? Mas você não pensou nisso...
- Não.
- Sei que não. Mais não há mais vida nele. Está tudo acabado.
- Por isso mesmo senhor nada pedi pra mim. Eu que estou metade morta e não anseio sequer pelo céu.
Yama suspirou...
- Os favores nunca se perdem para um homem verdadeiro. Sou absolutamente imparcial para todos os homens. Eu, mais do que ninguém sabe o que são a verdade e justiça. Sei que todo o passado e todo o futuro são mantidos coesos pela verdade. Quanto vale a sua vida sem Ninam?
- Nada senhor.
- Me entrega metade dos seus dias na Terra?
- Sim, eles são seus.
Novamente Yama dirigiu seu olhar profundo a Sanumá. Ela sentiu o peso deste olhar sobre seu corpo. Por fim Yama disse:
-Está feito! Pois mais forte que a morte é o amor, e mais longa que a vida é a saudade da pessoa querida. Tomei seus dias e entreguei ao seu marido como se fossem dele. Quer que eu lhe diga o número desses dias?
- Não. Ninguém melhor do que eu conhece a angústia de ver o Tempo correr desesperadamente em sua direção.
- A alma de Ninam descansa com você, Flor do Sonho. Terá de levá-la de volta você mesmo. Mas, antes de partir, me faça mais um pouco de companhia e eu lhe ensinarei o manejo das armas mortais dos Deuses.
Sanumá aprendeu muitos mantras e encantamentos. Mantras que podem tirar uma alma de dentro de um corpo e colocá-la exposta e pulsando na palma de nossa mão. Yama revelou seu verdadeiro nome para Sanumá, mas advertiu que ela nunca poderia pronunciá-lo indiscriminadamente, porque podia trazer uma destruição inimaginável. Se ele for revelado, toda a virtude e todo o poder das palavras desaparecerão instantaneamente e para sempre. Depois Sanumá revelou todo este conhecimento a Shipaya e ele se encarregou de incorporar estes conhecimentos na sabedoria milenar secreta dos Xamãs.
Yama se despediu de Sanumá e prosseguiu só, para o Reino dos Mortos, com um laço que nada continha. Já era escuro quando Sanumá percorreu uma mata densa e sinistra, onde as folhas murmuravam ferozmente ao vento da noite. O cadáver de Ninam permanecia gélido à luz das estrelas. Ela colocou a cabeça do marido no seu colo e sentiu a pele dele aquecer em contato com o seu delicado corpo. Ninam abriu os olhos e olhou para Sanumá com a felicidade que contém um olhar após matar uma longa saudade.
- Passei o dia dormindo, minha Flor. Tive um sonho estranho e nele eu ia sendo levado embora...
- Isso já passou – disse Sanumá.
- Não foi um sonho?
- Ninam eu posso me desfazer de mim mesma, mas jamais de você. É tarde, precisamos voltar. Conversaremos quando chegarmos em casa.
Yama, que havia retornado oculto pela floresta só para ver o reencontro do casal, após a saída deles, dirigiu seu olhar ao escuro denso da floresta e disse:
- Porque me olha tanto, Eternidade? Achas que perdi o juízo com a velhice? Este casal transmitiu a todos os que se dispuseram a ver, o verdadeiro êxtase de viver. Tentar conter este amor teria sido o mesmo que espremer um redemoinho nos braços. Porque sempre há indecisão e dúvida nas coisas do Amor?
Da escuridão saiu a Eternidade envolvida com seu disfarce quase impenetrável. Caminhou junto com Yama. Desceram e se sentaram na aprazível ribanceira do rio. É nos raios do luar que existe à noite que se desvelam as verdadeiras cores de tudo o que existe. A Eternidade sorriu como o rio que fluía na sua frente. Um sorriso prazeroso que fez o seu rosto brilhar.
- O homem não apresenta seu papel na Terra pelo que faz e diz –disse Yama- mas sim pelo que é. O verdadeiro guerreiro é consciente da sua harmonia com o caminho. Por um intenso SER é realizado o mais extenso FAZER. Sem essa essência, sem essa luz, pode o homem ver todas as coisas externas e não compreender nada, assim como um analfabeto pode folhear os maiores livros da humanidade sem entender nada.
- Não precisa se justificar nada para mim, Yama. Se houver alguma causa para o Amor, ele é meu velho amigo de outra vida e se irá comigo após qualquer pequeno atrito. Passarinho que se debruça já tem o vôo pronto. Mas me esclareça uma coisa Yama: o que é esta vida louca que corre nos corpos dos humanos como fogo?
- A vida é como ferro quente, fundindo; prestes a ser derramado. Escolha o molde e a Vida o abrasará. Os atos externos não têm valor por eles próprios, mas sim pela atitude interna. Para ser benfeitor da humanidade, só é preciso ser bom.
Yama afugentou a poeira com o vento e se sentou sobre um punhado de folhas largas de capim e aproveitou para perguntar para a Eternidade:
- E você, que despreza o Tempo, não se cansa de existir?
- O Tempo é um oceano sem fim, e onde achar uma ilha? A vida passa e é instável. Às vezes Yama, ouço o vento passar e só por ouvir passar o vento, percebo que vale a pena existir. Tenho o egoísmo natural das flores, preocupadas só com o florir.
- Eternidade, você que é muito mais experiente que eu, e que vai ficar após minha partida, me retire uma dúvida: Alguém conhece o Futuro?
-Nada sei sobre o Futuro, Yama. Como você tenho paciência e espero Ele vir ao meu encontro. Tenho como companheiro o Presente, momento único em que a gente pode criar e recriar o nosso caminho à nossa própria imagem e semelhança e se vestir com todas as cores e saborear todos os sabores e se entregar a todos os amores sem preconceito nem vergonha. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se única e exclusivamente Presente e tem a duração do instante que passa. A vida reside no instante. Não perca um só instante, faça rapidamente tudo o que deseja, pois a alegria é efêmera como o orvalho brando no verão.
E ninguém disse mais nada. O ruído da suave melodia do riacho ficou pairando sobre o profundo silêncio que caiu por toda parte até onde os ouvidos podiam alcançar, e tudo ficou escuro como a meia-noite; quieto e tranqüilo como quando um Deus dorme.
Apenas por um momento, do que arder eternamente de
desejo.
Mahabharata
Sanumá, a Flor do Sonho
Em um reino onde as uruçus amarelas carregadas de néctar repousavam sobre flores em toda a parte, ninguém jamais vira flor tão linda e perfumada como Sanumá, também conhecida como Flor do Sonho. Era bela e bondosa como uma árvore gigante que abre sua frondosa capa de folhas delicadas e oferece a sua sombra e frutos adocicados a todos. Uma índia cuja beleza fazia com que as outras mulheres parecessem vulgares, envergonhando a vaidade de todas.
Apesar de seus encantos, Sanumá nunca encontrou um homem que a interessasse, por serem todos desgraciosos, fúteis e vaidosos, inchados de orgulho e rígidos em sua oca presunção. Um dia, cansada da sua solidão, Sanumá comunicou ao pai, cacique da imensa nação Ianomâmi:
- Grande Mestre e Pai Ianoama, sei que lhe devo obediência, mas desejo ir ao encontro de meu destino. Partirei e não retornarei antes de encontrar meu companheiro.
O pai não se opôs. Sabia dos extensos limites da sua nação e mesmo as tribos vizinhas viviam um período prolongado de paz e confraternização entre elas. Sem colocar obstáculos, Ianoama permitiu a partida da filha. Selecionou a comitiva que a acompanharia: um rastreador, um caçador, um sonhador, que tem a habilidade de se comunicar em todas as línguas humanas, dos animais e vegetais, além de enviar mensagens através dos sonhos, e o Xamã Shypaia, um pajé de renome por toda floresta Amazônica.
Imbuída do seu desejo e vontade, Sanumá percorreu as mais variadas tribos e tabas a procura de alguém que aplacasse a sua sede de amor. Decidiu explorar além dos limites do seu reino e adentrou nas montanhas inchadas com as mais densas florestas que se conhece. Entrou na floresta milenar, onde as raízes são longas e cada árvore se curva sob o peso de sua florescência e oscila delicadamente na atmosfera dos Deuses.
Lá encontrou a tribo Bará, que se retirou para o âmago da floresta depois que o cacique Kinã perdeu a visão e passou a guiar sua tribo pelo olfato. Quando avistou Ninam, guerreiro e caçador, filho de Kinã, ambos se olharam e olharam-se nos olhos um do outro, e cada um desejou olhar para lá eternamente; Sanumá percebeu imediatamente nos olhos de Ninam que sua busca havia terminado.
Uma semana juntos foi mais que suficiente para Sanumá ter a mais absoluta convicção que Ninam era a resposta de todas as suas perguntas, o destino de todos os seus caminhos. Quanto a Ninam, logo reconheceu em Sanumá o caminho que leva ao paraíso e é usado somente pelos Deuses. Não haveria poder na face da Terra que os separaria.
Sanumá retornou para comunicar ao pai sua decisão de ter Ninam como companheiro e de sua disposição de viver no cerne da floresta. Ianoama a princípio se desesperou somente em pensar na separação de sua única filha, mas ficou calado porque sabia que a coragem que é alimentada pelo amor é imbatível. Procurou Shypaia, xamã que havia acompanhado a busca de Sanumá, e pediu informações sobre Ninam.
- Ianoama – disse Shypaia – Ele nasceu no cerne da floresta, onde vive desde então. Seu pai se chama Kinã, cacique da tribo Bará. Ele é bondoso e leal. Belo como a Lua, possui a energia e o vigor do Sol. É generoso como Gaia e tem a coragem de uma onça parida, ao mesmo tempo em que é paciente como o Tempo. Possui apenas um defeito e nenhum outro: dentro de exatamente um ano Ninam morrerá.
O cacique se encontrou com a filha e revelou as palavras de Shypaia e sugeriu que ela mudasse de idéia:
- Não te case para sua infelicidade, filha.
Sanumá contestou:
- Duas vezes não escolherei meu pai. Seja a sua vida curta ou longa, já tomei Ninam como companheiro em meu coração.
Diante da determinação da filha, Ianoama se calou. Devido ao pouco tempo que restava de vida do futuro genro, apressou os preparativos da partida que foi marcada para a manhã seguinte. Acompanharia a filha ao seu retorno ao âmago da floresta a fim de participar da festa de enlace do casal.
O cacique Kinã foi o primeiro a perceber o retorno de Sanumá. A sua voz alegre e límpida como o canto de um pássaro ao amanhecer veio trazido pelo vento até os sensíveis ouvidos de Kinã, que ficou preocupado. Como uma menina tão doce poderia viver na floresta tão densa?
- Ninam, meu filho, escuta seu velho pai. Como ela suportará viver na floresta?
- Meu sábio pai, tanto ela como eu sabemos que a alegria e o pranto seguem seu curso onde quer que estejamos. Não me desconsidere meu pai. Não destrua as minhas esperanças.
O ímpeto das paixões perturba os pensamentos e somente o Tempo consegue desatar os nós do coração. O amor é mais difícil de domar que um beija-flor. Tanto Kinã quanto Ianoama sabiam disso e sem demora realizaram a cerimônia de união de seus filhos. Quando o melhor se une ao melhor não pode deixar de haver felicidade. Repletos de amor e graças a dias onde a alegria sempre se fazia presente, o ano restante da vida de Ninam transcorreu tão rápido como o cair de uma estrela. O que sabe sobre o vagar do Tempo uma vítima do amor?
Sanumá mantinha consigo o seu segredo e só lhe restava contar os dias, que escorriam como areia entre os dedos. Até que só restou o derradeiro. Na véspera da chegada da Morte, Sanumá não conseguia dormir, passou a noite acordada a observar o marido, até de madrugada.
Preparou-lhe um lauto café da manhã. Abiu, fruta-pão, mel de Jataí, frutos de Maçaranduba, uma graviola bem madura, suco de mastruz, siriguelas vermelhas e doces como a brisa das manhãs, sementes de girassol tostadas ao sol e castanhas de caju assadas na lenha de Ipê. Sanumá nada conseguia comer, seus pensamentos continuavam trancados naquela sala onde tem uma tabuleta na porta escrita: “É HOJE O DIA”.
Quando o sol estava a um palmo de altura, Ninam decidiu sair para caçar. A insistência de Sanumá em acompanhá-lo o fez mudar os planos e ao invés de caçar, Ninam decidiu apanhar alguns peixes na cachoeira junto com ela. As trilhas densas por entre os morros eram desvendadas aos olhos através do suave brilho do sol que conseguia penetrar na floresta. Após atravessar dois morros de considerável tamanho, eis que aparece ela: a cachoeira do Jeribucaçú, um Rio mágico, elo do amor de dois oceanos..., mas isto já é uma outra história e agora estamos contando o drama de Sanumá, a Flor do Sonho, e de seu breve encontro com Yama, o senhor da Morte. Ele, que até o perigo foge e se esquiva... Retornaremos ao Jeribucaçú e a sua cachoeira, uma queda d’água maior do que qualquer árvore milenar. Com suas águas quentes e ferruginosas de cor dourada era um ostensivo convite ao mergulho. Pularam, nadaram, brincaram. Nunca a Eternidade se deteve tanto tempo neste planeta como naquele momento entre os dois. Ah, a Eternidade... Ela tem suas raízes fora do alcance dos homens. Yama também acompanhava a alegria do casal. Uma alegria que faria brotar orquídeas no deserto. Alheio a todos estes espectadores e cheia de doçura, Sanumá observava todas as nuances do espírito de Ninam.
Quando saíram da água, Ninam sentiu calafrios. Secou seu corpo com algodão extraído de um pé de Marcela e sentiu a cabeça latejar. Deitou no colo de Sanumá. A luz o perturbava e fazia arder seus olhos. Percebendo isso, Sanumá fez sombra com seu rosto e esta sombra permitiu Ninam a ter sua última visão: o intenso brilho dos olhos de Sanumá. Ao fechar os olhos, seu rosto se retorceu e empalideceu por um momento. Aos poucos, a cor voltava para a sua face e com a cabeça no colo de Sanumá, Ninam adormeceu serenamente. Sanumá com a voz triste e ritmada sussurrou homenagens de amor e agonia ao índio que lhe roubou a calma e a alma.
Do interior da floresta, um homem alto e forte observava Sanumá com os olhos escuros e fixos. Logo Sanumá percebeu sua unha brilhante como reflexos de sol no lago e uma pintura cintilante como o brilho das jóias e pérolas cobriam seu corpo. Yama saiu de dentro da floresta como a Lua saindo do mar: majestoso e todo vestido de branco. Tinha para Ninam um olhar de grande paciência e bondade e isto tranqüilizou Sanumá.
-É, muito se vive, pouco se vê – disse Yama – Eterno plantador de flores e espinhos no nosso caminho, o Deus do Amor. Com suas flechas com pontas em flor detém o mais poderoso arco do mundo. Ainda que seja feito de cana de açúcar e a sua corda não seja mais grossa do que um fio de teia de aranha, o veneno destas flechas carrega o mágico encantamento do amor.
As palavras de Yama surpreenderam e encantaram Sanumá pela suavidade. Sem nenhum medo Sanumá declarou sua surpresa:
- Sempre achei que você seria uma mulher!
- Não irmãzinha! As mulheres trazem a Vida porque têm mais sabedoria para transmitir aos Curumins. Os homens levam. Devemos relevar algumas atitudes masculinas devido a esta ancestral violência hereditária, muitas vezes reprimidas em saudáveis torneios, necessárias caçadas e em inonimáveis guerras. Dos homens sempre brotará a Morte, enquanto nas mulheres floresce a Vida.
- Senhor Morte, eu sou Sanumá.
Yama sorriu e respondeu com brandura:
- Eu conheço vocês dois, Flor do Sonho, desde há muito tempo. As outras vidas eu as recordo, você não; mas agora está lançada a flecha da minha tutela. Os dias de Ninam estão completos e eu vim buscá-lo.
Yama colocou a mão no peito de Ninam na altura do coração e arrancou a sua alma, um ente não maior que seu dedo, que Yama amarrou em seu laço. Quando a alma de Ninam tinha sido guardada, seu corpo não respirou mais. Yama se retirou para a floresta, mas Sanumá o seguiu, caminhando ao seu lado. Ele parou e disse:
- Volte, Flor do Sonho, e prepare o funeral.
-Ouvi dizer que você foi o primeiro homem a morrer que encontrou o caminho da morada que não pode mais ser tomada.
- É verdade – disse Yama -, mas agora volte, Flor do Sonho. Não pode me seguir além daqui. Está livre de qualquer compromisso ou elo com Ninam.
- Todos os que nascem devem um dia segui-lo, senhor. Permita-me lhe acompanhar apenas um pouco mais, como sua amiga.
Yama parou e, virando lentamente, viu Sanumá. De seu corpo dourado exalava o odor de uma orquídea ao orvalho da primavera. Recordou do casal infinitamente feliz há apenas algumas horas atrás na cachoeira.
- Você tem razão, Flor do Sonho, você não tem medo de mim. Aceito-a como amiga, e aceite também em troca uma dádiva minha, o que eu puder lhe dar. Mas não posso devolver a vida de Ninam.
- A amizade só se consuma após onze passos dados juntos – disse Sanumá – Que a cegueira de Kinã o abandone.
- Já o abandonou. Agora volte, pois está cansada.
- Nem um pouco. Estou com Ninam pela última vez. Dê-me permissão para caminhar com você mais um pouco.
- Eu a dou. Eu sempre tiro, mas é bom poder dar. Não é difícil dar. Quando a vida finda e tudo precisa ser entregue, se compreende que dar não é difícil.
Caminharam rumo ao Norte e chegaram a beira de uma nascente; Yama deu de beber a Sanumá de sua própria mão. Ofereceu a Sanumá visões de outras vidas dela. Passadas ou vindouras, era só escolher. Gentilmente Sanumá recusou o regalo.
- Durante a vida, Sanumá, existe dor, mas nenhuma na morte. O que é muito difícil é encontrar alguém digno de receber. Eu já vi a todos. E, contudo esta água não é mais límpida que seu coração. Você luta pelo que deseja, você decide, escolhe seu caminho e não se abate. Não deseja ser nenhuma outra pessoa. Há muito que não vejo isso. Pode fazer outro pedido Sanumá, tudo menos a vida de Ninam.
- Que meu pai Ianoama viva tanto quanto um Jatobá e tenha uma centena de filhos.
- Ele os terá – assegurou Yama – mas me peça algo mais, algo para si mesma. Tudo menos a vida de Ninam.
Sanumá respondeu:
-Que eu tenha também cem filhos do meu marido.
Yama parou diante de uma Ibirapitanga milenar e ficou a contemplá-la. Sanumá não sabia dizer o que impressionara Yama: se suas palavras ou gigantesca árvore de grosso tronco vermelho.
- Flor do Sonho, sem pensar você me respondeu. E falou a verdade. Como há de ter filhos com Ninam se ele está morto? Mas você não pensou nisso...
- Não.
- Sei que não. Mais não há mais vida nele. Está tudo acabado.
- Por isso mesmo senhor nada pedi pra mim. Eu que estou metade morta e não anseio sequer pelo céu.
Yama suspirou...
- Os favores nunca se perdem para um homem verdadeiro. Sou absolutamente imparcial para todos os homens. Eu, mais do que ninguém sabe o que são a verdade e justiça. Sei que todo o passado e todo o futuro são mantidos coesos pela verdade. Quanto vale a sua vida sem Ninam?
- Nada senhor.
- Me entrega metade dos seus dias na Terra?
- Sim, eles são seus.
Novamente Yama dirigiu seu olhar profundo a Sanumá. Ela sentiu o peso deste olhar sobre seu corpo. Por fim Yama disse:
-Está feito! Pois mais forte que a morte é o amor, e mais longa que a vida é a saudade da pessoa querida. Tomei seus dias e entreguei ao seu marido como se fossem dele. Quer que eu lhe diga o número desses dias?
- Não. Ninguém melhor do que eu conhece a angústia de ver o Tempo correr desesperadamente em sua direção.
- A alma de Ninam descansa com você, Flor do Sonho. Terá de levá-la de volta você mesmo. Mas, antes de partir, me faça mais um pouco de companhia e eu lhe ensinarei o manejo das armas mortais dos Deuses.
Sanumá aprendeu muitos mantras e encantamentos. Mantras que podem tirar uma alma de dentro de um corpo e colocá-la exposta e pulsando na palma de nossa mão. Yama revelou seu verdadeiro nome para Sanumá, mas advertiu que ela nunca poderia pronunciá-lo indiscriminadamente, porque podia trazer uma destruição inimaginável. Se ele for revelado, toda a virtude e todo o poder das palavras desaparecerão instantaneamente e para sempre. Depois Sanumá revelou todo este conhecimento a Shipaya e ele se encarregou de incorporar estes conhecimentos na sabedoria milenar secreta dos Xamãs.
Yama se despediu de Sanumá e prosseguiu só, para o Reino dos Mortos, com um laço que nada continha. Já era escuro quando Sanumá percorreu uma mata densa e sinistra, onde as folhas murmuravam ferozmente ao vento da noite. O cadáver de Ninam permanecia gélido à luz das estrelas. Ela colocou a cabeça do marido no seu colo e sentiu a pele dele aquecer em contato com o seu delicado corpo. Ninam abriu os olhos e olhou para Sanumá com a felicidade que contém um olhar após matar uma longa saudade.
- Passei o dia dormindo, minha Flor. Tive um sonho estranho e nele eu ia sendo levado embora...
- Isso já passou – disse Sanumá.
- Não foi um sonho?
- Ninam eu posso me desfazer de mim mesma, mas jamais de você. É tarde, precisamos voltar. Conversaremos quando chegarmos em casa.
Yama, que havia retornado oculto pela floresta só para ver o reencontro do casal, após a saída deles, dirigiu seu olhar ao escuro denso da floresta e disse:
- Porque me olha tanto, Eternidade? Achas que perdi o juízo com a velhice? Este casal transmitiu a todos os que se dispuseram a ver, o verdadeiro êxtase de viver. Tentar conter este amor teria sido o mesmo que espremer um redemoinho nos braços. Porque sempre há indecisão e dúvida nas coisas do Amor?
Da escuridão saiu a Eternidade envolvida com seu disfarce quase impenetrável. Caminhou junto com Yama. Desceram e se sentaram na aprazível ribanceira do rio. É nos raios do luar que existe à noite que se desvelam as verdadeiras cores de tudo o que existe. A Eternidade sorriu como o rio que fluía na sua frente. Um sorriso prazeroso que fez o seu rosto brilhar.
- O homem não apresenta seu papel na Terra pelo que faz e diz –disse Yama- mas sim pelo que é. O verdadeiro guerreiro é consciente da sua harmonia com o caminho. Por um intenso SER é realizado o mais extenso FAZER. Sem essa essência, sem essa luz, pode o homem ver todas as coisas externas e não compreender nada, assim como um analfabeto pode folhear os maiores livros da humanidade sem entender nada.
- Não precisa se justificar nada para mim, Yama. Se houver alguma causa para o Amor, ele é meu velho amigo de outra vida e se irá comigo após qualquer pequeno atrito. Passarinho que se debruça já tem o vôo pronto. Mas me esclareça uma coisa Yama: o que é esta vida louca que corre nos corpos dos humanos como fogo?
- A vida é como ferro quente, fundindo; prestes a ser derramado. Escolha o molde e a Vida o abrasará. Os atos externos não têm valor por eles próprios, mas sim pela atitude interna. Para ser benfeitor da humanidade, só é preciso ser bom.
Yama afugentou a poeira com o vento e se sentou sobre um punhado de folhas largas de capim e aproveitou para perguntar para a Eternidade:
- E você, que despreza o Tempo, não se cansa de existir?
- O Tempo é um oceano sem fim, e onde achar uma ilha? A vida passa e é instável. Às vezes Yama, ouço o vento passar e só por ouvir passar o vento, percebo que vale a pena existir. Tenho o egoísmo natural das flores, preocupadas só com o florir.
- Eternidade, você que é muito mais experiente que eu, e que vai ficar após minha partida, me retire uma dúvida: Alguém conhece o Futuro?
-Nada sei sobre o Futuro, Yama. Como você tenho paciência e espero Ele vir ao meu encontro. Tenho como companheiro o Presente, momento único em que a gente pode criar e recriar o nosso caminho à nossa própria imagem e semelhança e se vestir com todas as cores e saborear todos os sabores e se entregar a todos os amores sem preconceito nem vergonha. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se única e exclusivamente Presente e tem a duração do instante que passa. A vida reside no instante. Não perca um só instante, faça rapidamente tudo o que deseja, pois a alegria é efêmera como o orvalho brando no verão.
E ninguém disse mais nada. O ruído da suave melodia do riacho ficou pairando sobre o profundo silêncio que caiu por toda parte até onde os ouvidos podiam alcançar, e tudo ficou escuro como a meia-noite; quieto e tranqüilo como quando um Deus dorme.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Sanuma in English

In English
Sanuma, Flor do Sonho
In a realm where bees loaded with nectar take their repose upon flowers everywhere, there never lived so pretty and fragrant a flower as Sanuma, who was known as Flor do Sonho, which means Flower of Dreams. She was beautiful and gracious like a great tree who opens her dense mantle of delicate leaves and offers her shelter and delicious fruit to all. An Indian whose beauty made other women seem vulgar, shaming the vanity of them all.
Despite her prayers, Sanuma had never met a man who interested her, for they were all disgraceful, useless and vain, swollen with pride and hard on the eyes. One day, tired of her solitude, Sanuma told her father: “Great Master and Father Ianoama, Chief of the Lineage of Ianomami, I know I must show you obedience, but I desire to meet my destiny. I will depart and not return until I find my companion.
Her father did not object. He thought of the great station of her birth and also the prolonged period of peace and confraternity with the neighboring tribes. Finding no obstacles, Ianoama permitted his daughter’s departure. He selected an entourage to accompany her: a guide, a hunter, a visionary who had the ability to communicate in all languages of humans, plants and animals, to send messages through dreams and Xama Shypaia, a shaman of great renown in all of the Amazon jungle.
Imbued with her desire and longing, Sanuma searched the greater part of the various tribes and villages to find someone to quench her thirst for love. She resolved to explore beyond the limits of her realm and into the mountains swollen with the most dense jungles known. She entered the millennial jungle where roots were long and every tree curved under the weight of their abundant blossoms, which oscillated delicately in the air of the Gods.
There she met the Bara Tribe, who withdrew to the heart of the jungle after Chief Kina lost his vision and came to lead his tribe by sense of smell. When she saw the warrior and hunter Ninam, son of Kina, they gazed into each other’s eyes, one to the other, each desiring to look for eternity; Sanuma immediately perceived in the eyes of Ninam that her search had ended.
One week together was more than sufficient for Sanuma to hold the most absolute conviction that Ninam was the answer to all her questions, the destiny of all her travels. In turn, Ninam at once recognized in Sanuma a path to paradise tread only by Gods. There could never be, while on the face of the Earth, any separation between them.
Sanuma returned to tell her father of her decision to take Ninam as her companion and her intention to live in the heart of the jungle. Ianoama at first only despaired to think of the separation from his only daughter, but found peace because he knew that courage that is nourished by the heart is unbeatable. He called on Shypaia the Shaman who had accompanied Sanuma’s quest, and demanded information about Ninam.
“Ianoama,” said Shypaia, “He was born in the heart of the jungle where he has lived ever since. His father’s name is Kina, Chief of the Bara Tribe. He is kind hearted and loyal. Beautiful like the moon, he possessed the energy and vigor of the sun. He is generous like Gaia, and has the courage of a jaguar cub, and at once as patient as Time. He possessed only one defect and none other: In exactly one year, Ninam shall die.”
The chief met with his daughter and revealed to her the words of Shypaia and suggested that she change her mind.
“Don’t marry into misery daughter.”
Sanuma countered, “There is no other choice my father. Whether his life is short or long, I will take Ninam as my heart’s companion.”
Faced with his daughter’s determination, Ianoama fell quiet and owing to the small time remaining in the life of his future son-in-law, he quickly set aside preparations for the following morning. He would accompany his daughter on her return to the heart of the jungle in order to partake of the festivities to join the couple in marriage. Chief Kina was first to notice the return of Sanuma, her voice joyful and soft like the song of a bird at daybreak, a thread in the wind, until audible to Kina. How will a girl so sweet be able to live in a jungle so dense?
“Ninam my son, explain to your old father. How will you support her to live in the jungle?”
“My wise father, she knows as well as I, how joy and sorrow follow their course where ever we are. Don’t shame me my father. Don’t destroy the girl’s hopes.”
The impetus of passion disturbs the mind and only Time manages to release our hearts. Love is more difficult to catch than a hummingbird. Thereof Kina and Ianoama both knew and without delay completed the ceremony of the union of their children. When best is joined to best, happiness cannot be avoided. Replete with love and gracious days when joy was always near, the remaining year of Ninam’s life passed as quickly as a falling star. Who better knows the idleness of Time than a victim of Love?
Sanuma kept her secret to herself and only rested to count the days that flowed like sand through the fingers. Until alone she would finally rest.
The day before Death’s approach, Sanuma did not fall asleep; she passed the night alert to observe her husband until he awoke.
She made him coffee in the morning. She presented abiu, fruit bread, honey of Jatai, macaranduba ripe, graviola sweet like the morning breeze, sunflower seeds toasted in the sun, and cashews roasted over firewood of Ipe. Sanuma couldn’t eat anything; her thoughts continued to wander as if in a room where a tablet on the door read, “TODAY IS THE DAY.”
When the sun was one hand high, Ninam decided to go on a hunt. At Sanuma’s insistence, she accompanied him and tried to change his plans. Instead of the hunt, Ninam agreed to catch some fish at the waterfall together with her.
The dense steep trails between the hills revealed views through the soft, bright sun that penetrated the deep jungle. After they crossed two hills of considerable scale, before them emerged the waterfalls of Jeribucacu, a magic river, a bond of love between two oceans. But that is another story and now we are telling the drama of Sanuma, Flor do Sonho, and of her brave encounter with Yama, Sir Death. He whom one should flee and avoid at all peril.
We return to Jeribucacu and its rapids, the biggest waterfall of the millennial jungle. With its warm water and ores of gilded hue, it was an ostensible invitation to dive in.
They jumped, they swam, and played. Eternity never held such a time on the planet as that moment between the two. Ah, Eternity. She keeps her roots away from the reaches of men. Yama, meanwhile, attended to the happiness of the couple. A happiness that could make orchids bloom in the desert. Unaware of the spectators, full of sweetness, Sanuma observed all the nuances of Ninam’s spirit.
When he got out of the water, Ninam felt a chill. He dried his body with a cloth extracted from the Pe de Marcela., and felt a headache. He lay down at Sanuma’s bosom. The light disturbed and burned his eyes. Perceiving this, Sanuma shaded him with her face and this shade permitted Ninam his last vision: the intense light of Sanuma’s eyes.
At the close of his eyes, his face twisted and blanched for a moment. Shortly, the color returned to his face and with his head on Sanuma, Ninam serenely went to sleep. Sanuma with a sad, rhythmic voice murmured homage of love and agony to the Indian who stole her soul and quiet.
From inside the jungle a tall, strong man observed Sanuma with fixed, dark eyes. Suddenly Sanuma noticed his brilliant spark like the reflection of sun on a lake in a scintillating painting, like jewels and pearls covering his body. Yama emerged from the jungle like the moon over the sea, majestic and clothed all in white. He cast upon Ninam a look of great patience and grace and this calmed Sanuma.
“Much lived and seldom seen is He,” said Yama, “the Eternal planter of flowers and thorns in our path, the God of Love.” With his arrows with tips in bloom, tracing the most mighty arc of the world. Though they may have been made from sugar cane and a cord no thicker than the thread of a spider’s web, these arrows carry the venom of the magic enchantment of love. Yama’s words surprised and charmed Sanuma agreeably. Fearing no one, Sanuma declared her surprise:
“I always imagined you were a woman!”
“No my dear!” Women convey Life because they carry more knowledge of Curatives to pass on. Men take it away. We must be allowed some masculine traits derived from inherited, ancestral violence, often recalled in sporting tournaments, survival hunts, and countless wars. Men always bring forth Death, in as much as women flourish Life.
“Sir Death, I am Sanuma.”
Yama smiled and responded tenderly.
“I know you both, Flor do Sonho, from a long time ago. I remember past lives, but you do not. But now the arrow has lanced my tutelage. Ninam’s days are complete and I came to seek him. Yama placed a hand on Ninam’s chest over the heart and plucked his soul, a being not bigger than his hand, that Yama fastened with his lasso. When Ninam’s soul had been captured, his body respired no more. Yama returned toward the jungle, but Sanuma followed, walking at his side.
“Go, Flor Do Sonho, and prepare the funeral.”
I’ve heard a saying that you were the first man to die who found the path of life that could not be caught again.
“It’s true,” said Yama, “But go back now Flor do Sonho. You cannot follow me there now. You are free of any commitment or bond with Ninam.”
“Everyone that is born must one day follow your Sir. Allow me to accompany you just a little more as a friend.”
Yama stopped and turned slowly to look at Sanuma. Her golden body emitted the scent of an orchid in the mists of spring. He recalled the couple infinitely happy just a few hours before at the waterfall.
“You are right Flor do Sonho, you do not fear me. I accept – as a friend, and in exchange, accept a gift from me, that I humbly offer. But I cannot bring back Ninam’s life.”
“The friendship is consummated after only eleven footsteps together.” Said Sanuma, “That Kina be rid of his blindness.”
“It’s already gone. Now go back for you are tired.”
“Not even a little. I was with Ninam to the last minute. Grant me permission to walk with you a little more.”
“I grant it. I always take away. But it is good to be able to give. It is not difficult to give. When life ends and all needs are met one understands that to give is not difficult.”
They walked toward the North. They cam to the edge of a spring and Yama gave a drink to Sanuma right from his hand. He offered Sanuma visions of other lives. Past or future, she hand only to choose. Gently Sanuma refused the offer.
“During life, Sanuma, there is pain, but no more in death. That which is met with difficulty is worthy to receive. I have seen it all. And, I conclude that this water is no more pure than your heart. You fight for what you desire, decide, choose your way and don’t give in. You do not desire to be anyone else. You have a lot that I’ve never seen before. You can make another request Sanuma, anything, except the life of Ninam.”
“That my father Ianoma lives long in Jatoba and has one hundred sons.”
“He will,” assured Yama, “But ask me something else, something for you. Anything but the life of Ninam.”
Sanuma responded. “That I also have one hundred sons with my husband.”
Yama stopped before an Itabirapitanga Milenar and had to contemplate it. Sanuma did not know what impressed Yama more, her words or the gigantic tree with the huge red trunk.
“Flor do Sonho, without thinking, answer me. And tell the truth. How will you have sons with Ninam if he is dead? But you did not think of that. . .”
“No”
“I know. But he does not have more life in him. It’s all over.”
“All the same, Sir, I ask for nothing less. I, who am half dead, do not ask so much of the sky.”
Yama sighed.
“Two things keep men from knowing for certain what they must do, one is desire, which blinds the intelligence and chills courage, the other is fear, which noting danger, prefers inertia to action. Favor is never lost on a man of truth. I am absolutely impartial to all men. I, more than anyone know truth and justice. I know that all past and all future are united in truth. How much value is your life without Ninam?”
“Nothing Sir, without happiness, human life does not merit the name Life.”
“Do you surrender to me half your days on Earth?”
“Yes, they are yours. “
“What does it mean to die, young or old, when you can say with total reason that you have never lived? You cannot speak of life when you have not tasted the pleasures of life.”
Suddenly Yama directed his view profoundly at Sanuma. She felt the weight of his eyes on her body. At last, Yama said:
“It is done. For love is stronger than death; longer than life is the longing of the beloved. I took your days and delivered your husband as he was. Do you want me to tell you the number of these days?”
“No. No one knows better than I the anguish of seeing Time race desperately in your direction.”
“The spirit of Ninam rests with you, Flor do Sonho. It will be for you to take it to return. But before you leave, keep me company for a little and I will teach you the work of the deadly arms of the Gods.”
Sanuma learned many mantras and incantations. Mantras that can pull the soul out of the body and place it exposed and pulsing in the palm of your hand. Yama revealed his true name to Sanuma but advised that she never pronounce it indiscriminately because it could cause unimaginable destruction. If it is revealed all virtue and all that can be put in words would disappear instantly and forever. Next Sanuma discovered everything known to the Shipaya and was entrusted with incorporation of this knowledge in the millennial wisdom of the secrets of the Xamas.
Yama said farewell to Sanuma and continued alone, through the Realm of Death, like a lasso that grasps nothing. It was already dark when Sanuma traveled through a dark, sinister wood where the leaves murmured ferociously in the night wind. Ninam’s corpse was preserved frozen in the starlight. She put her husband’s head on her bosom and warmed his skin with her tender body. Ninam opened his eyes and looked at Sanuma with a joy that contained a look that could quench a deep yearning.
“I passed the day sleeping my Flower. I had a strange dream in which I went away on a narrow path.”
“That happened,” said Sanuma.
“It wasn’t a dream?”
“Ninam I can only speak for myself, but never for you. Let’s talk when we get home.”
Yama who had returned, hidden alone in the forest to see the couple reunite, before leaving them, turned his view to the dense darkness of the forest and said:
“Why do you stare at me Eternity? Do you find I have lost judgment with old age? This couple conveyed all that could be said of the true ecstasy of life. To try to repress this love would be like draining a whirlpool from its stream. Why is there always indecision and doubt in matters of Love?”
From the darkness came Eternity wrapped in his virtually impenetrable disguise. He walked together with Yama. The descended and sat upon a steep riverbank.
It is in the rays of the moon that exist at night that we attend to the true heart of all that exists. Eternity smiled like the river that flowed before them. A pleasant smile brightened his face.
“Men do not present their Paper on Earth to that which does and says,” said Yama, “so much as to that which is. The true warrior is conscious of his harmony with the path. For an intense TO BE is realized in a more extensive TO DO. Without this essence, without this light, man can see all things external and comprehend nothing, just as an illiterate can page the great books of humanity and understand nothing.”
“You don’t have to justify anything to me Yama. I have some motives for Love, she is my old friend of another life and she went with me before a little falling out. The bird that leans soon takes flight. But clarify one thing for me Yama: What in this crazy life is made like the human heart?”
“Life is like hot iron, malleable, ready to be shaped. Choose the mold and Life will kindle the fire. External acts do not have true valor, except for the internal attitudes. To be a benefactor of humanity, it is only necessary to be good.”
Yama brushed away dust in the wind, felt over a falling of large leaves on the grass and advanced a question to Eternity.
“And you, who despise Time, are you not weary to exist?”
“Time is an endless ocean, but where does it meet one island? Life passes and is unstable. Sometimes, Yama, when I hear the wind pass and only for sound does it pass, I find that it is worthwhile to exist. I take the natural egoism of the flowers who are preoccupied only with flowering.”
“Eternity, you who are more experienced than I, and who travels beyond my departure, remove one doubt: Does anyone know the Future?”
“No one knows the Future, Yama. Like you I have patience and hope that He sees to my meeting. The past is uninhabitable, but the light of dusk illumines the reflections of all the centuries; I have for companionship the Present, a unique moment in which people can create and recreate our path to our image and likeness and wear all the colors, taste all the flavors, and gather all the love without preconception or longing. Age that is fleeting in life is called unique and exclusively Present and takes the duration of an instant to pass. Life resides in an instant. Do not lose even an instant, face all you desire quickly, for happiness is as ephemeral as the drying dew off summer. And no one said more.
The din of a soft melody from a brook hovered above the profound silence that fell in every part where before the sounds could reach, and everything fell dark as midnight, quiet and tranquil as when a God sleeps.
domingo, 25 de janeiro de 2009
O Guerreiro e a Morte
O Caçador e a Morte
Enquanto todos estão entretidos na suave harmonia produzida pelo som e silêncio e regida pela orquestra ruidosa da floresta, o caçador, envolvido pelo silêncio, observa os rastros que o conduzirão à caça. Um bom caçador sabe de uma coisa acima de todas as outras: conhece a rotina de sua presa. A capivara sai de sua toca e vai ao rio beber água toda a noite pelo mesmo caminho. Comete os mesmos atos, surda e cega perante as inúmeras possibilidades que o Presente oferece.
As capivaras trocam de pêlos, mas não alteram a sua rotina. Essas pegadas não passam desapercebidas ao caçador, que transforma sua presença numa incógnita. A rotina delata os vestígios da presa ao caçador. A capivara se torna refém dos obstáculos e armadilhas criadas por ela própria.
O caçador sabe que a rotina o transformará em caça e isso ele não deseja. A vida de um caçador é um exercício de estratégia. Observa a fraqueza da presa para fortificar os seus atos. Não deixa a rotina agarrá-lo, ele é senhor absoluto de si em todas as suas ações. Lua após Lua. O caçador pratica cada ação como se fosse a única coisa que realmente importasse no mundo, e não deixa de ter razão. Um verdadeiro caçador não apanha a caça porque prepara as armadilhas. Captura-as porque ele é fluido, livre e imprevisível, diferente dos animais que persegue, presos por rotinas pesadas e esquisitices fixas.
Atento e observador, descobre que o mundo é um intrigante e completo mistério. Desiste então de desvendá-lo, ficando livre para explorar e viver o instante. Rastros apagados, somente o momento revela a direção de seus passos.
O caçador é o mensageiro de Yama. Conhece seus caprichos, e sabe que Ela é a única entre os Deuses que não aceita presentes. Não há como ir contra os desejos desta senhora tão velha quanto a Vida. Não existe na floresta inteira uma árvore que o cerne do seu tronco não se desmanche como pólen ante seu abraço. O caçador sabe que os mortos não mordem, mas não luta contra Ela, compreende que seu momento de abraçá-la independe dele. Nascemos de um só modo, de muitos morremos, apesar de uma só noite nos esperar a todos.
A total incerteza sobre a hora de sua morte prende o caçador ao Presente. Ele não tem tempo para se agarrar em nada. Família, trabalho ou rotina..., Essa convicção da presença muda de Yama ao seu lado tempera o sabor do momento vivido pelo caçador. Ele saboreia tudo e todas as emoções que o instante lhe oferece. É a certeza da morte que sustenta o poder de decisão de um caçador. Quando nos consideramos imortais, achamos que nossos erros podem ser desfeitos depois. Mas num mundo onde Yama é uma caçadora que está sempre por perto, não há tempo para remorsos ou dúvidas para o caçador. Só há tempo para decisões. Ele sabe que somente o seu julgamento correto mantém vivo nesta absurda realidade, evitando assim que a morte o dissolva. O caçador tem que ser poderoso de saída para poder suportar os rigores desta vida. Longe de ser uma vítima ou considerar Yama sua inimiga, o caçador reconhece que, enquanto ela não desejar beijá-lo, todo o homem é imortal.
A Vontade e a Paciência são duas qualidades imprescindíveis para a construção de um caçador. Somente a Vontade move o processo inicial do conhecimento. Ela é nosso elo de ligação com o mundo. A Vontade é a ferramenta que o caçador utiliza para reverter quadros desfavoráveis. Mesmo que a situação esteja sinistra e todos estiverem dizendo NÃO, o caçador imbuído de Vontade prende até vento em sua rede. Quando um homem resolve fazer alguma coisa, tem que ir até o fim. Tem que assumir a responsabilidade daquilo que faz, e depois prosseguir com seus atos sem vacilação ou arrependimentos. Uma onça pode chegar ao lado de um caçador e cheirar o seu rosto, mas, se ele permanecer imóvel e inabalável, a onça vai embora.
Pior do que a fome é a audácia da barriga cheia. A ignorância produz atrevimento. A Paciência carrega a reflexão, local onde brota a sabedoria, dádiva que o Tempo concede aos mortais. A reflexão constrói artimanhas e armadilhas. A Paciência permite ao caçador observar a caça e alertar o corpo para o momento exato de executar o bote. A Paciência nos demonstra como levar uma vida de um modo mais estratégico, porque somente ela reflete uma ampla visão da situação.
Um caçador deixa muito pouca coisa ao acaso, ele tem que gastar tempo observando onde sua presa se alimenta e faz seu ninho, para saber onde localizar sua armadilha. Ele confia na sua estratégia, sabe que atrairá a caça várias vezes na sua armadilha de modo que não se preocupa. A Paciência logo nos dá clareza para perceber que o universo não tem preferências e que todas as coisas são iguais e sendo iguais nenhuma é melhor ou pior do que a outra, assim todas as coisas são sem importância. Quão estranho e lógico são as leis que regem o universo, ele não se explica só complica, então, quanto mais falamos do Universo, menos o compreendemos. Melhor deixar nossa pretensão de lado, deixar de tentar entendê-lo e percebê-lo em silêncio. Um caçador sabe de muita coisa. È uma pessoa que vê o mundo de diversas maneiras. É preciso estar em perfeito equilíbrio com o ambiente que o cerca, porque senão a caçada se torna uma tarefa sem sentido.
Só sobreviveremos num mundo onde só existam caça e caçador, se assumirmos a postura de um caçador. O destino da caça é morrer enforcada pela sua rotina. A arte do caçador é ser inabalável e leve. Ser leve significa que ele toca moderadamente o mundo que o cerca. Usa o seu mundo com respeito e ternura. Não está faminto, nem desesperado, que pensa que nunca mais vai comer na vida e então chupa todos os frutos da árvore. O caçador chupa alguns cajus, não a árvore inteira, toca o mundo de leve, fica o tempo que precisa e depois passa adiante rapidamente, quase sem deixar marcas. O caçador é livre para fazer da ocasião a alma de todas as suas ações. Solto de posses e programações prévias, ele circula leve como a brisa sobre as amarras do cotidiano que deixam a caça imobilizada no Presente e com o Futuro marcado.
Enquanto a caça se mantiver resignada, escolhendo sempre o mesmo caminho para beber água e o caçador tiver a alma aberta para conhecer novos atalhos aprendidos com a reflexão que brota da Paciência e com seus atos embriagados de Vontade; nascerão e morrerão constelações de estrelas, gerações de Eternidades passarão e a luta, entre caça e caçador, permanecerá incessantemente desigual.
Enquanto todos estão entretidos na suave harmonia produzida pelo som e silêncio e regida pela orquestra ruidosa da floresta, o caçador, envolvido pelo silêncio, observa os rastros que o conduzirão à caça. Um bom caçador sabe de uma coisa acima de todas as outras: conhece a rotina de sua presa. A capivara sai de sua toca e vai ao rio beber água toda a noite pelo mesmo caminho. Comete os mesmos atos, surda e cega perante as inúmeras possibilidades que o Presente oferece.
As capivaras trocam de pêlos, mas não alteram a sua rotina. Essas pegadas não passam desapercebidas ao caçador, que transforma sua presença numa incógnita. A rotina delata os vestígios da presa ao caçador. A capivara se torna refém dos obstáculos e armadilhas criadas por ela própria.
O caçador sabe que a rotina o transformará em caça e isso ele não deseja. A vida de um caçador é um exercício de estratégia. Observa a fraqueza da presa para fortificar os seus atos. Não deixa a rotina agarrá-lo, ele é senhor absoluto de si em todas as suas ações. Lua após Lua. O caçador pratica cada ação como se fosse a única coisa que realmente importasse no mundo, e não deixa de ter razão. Um verdadeiro caçador não apanha a caça porque prepara as armadilhas. Captura-as porque ele é fluido, livre e imprevisível, diferente dos animais que persegue, presos por rotinas pesadas e esquisitices fixas.
Atento e observador, descobre que o mundo é um intrigante e completo mistério. Desiste então de desvendá-lo, ficando livre para explorar e viver o instante. Rastros apagados, somente o momento revela a direção de seus passos.
O caçador é o mensageiro de Yama. Conhece seus caprichos, e sabe que Ela é a única entre os Deuses que não aceita presentes. Não há como ir contra os desejos desta senhora tão velha quanto a Vida. Não existe na floresta inteira uma árvore que o cerne do seu tronco não se desmanche como pólen ante seu abraço. O caçador sabe que os mortos não mordem, mas não luta contra Ela, compreende que seu momento de abraçá-la independe dele. Nascemos de um só modo, de muitos morremos, apesar de uma só noite nos esperar a todos.
A total incerteza sobre a hora de sua morte prende o caçador ao Presente. Ele não tem tempo para se agarrar em nada. Família, trabalho ou rotina..., Essa convicção da presença muda de Yama ao seu lado tempera o sabor do momento vivido pelo caçador. Ele saboreia tudo e todas as emoções que o instante lhe oferece. É a certeza da morte que sustenta o poder de decisão de um caçador. Quando nos consideramos imortais, achamos que nossos erros podem ser desfeitos depois. Mas num mundo onde Yama é uma caçadora que está sempre por perto, não há tempo para remorsos ou dúvidas para o caçador. Só há tempo para decisões. Ele sabe que somente o seu julgamento correto mantém vivo nesta absurda realidade, evitando assim que a morte o dissolva. O caçador tem que ser poderoso de saída para poder suportar os rigores desta vida. Longe de ser uma vítima ou considerar Yama sua inimiga, o caçador reconhece que, enquanto ela não desejar beijá-lo, todo o homem é imortal.
A Vontade e a Paciência são duas qualidades imprescindíveis para a construção de um caçador. Somente a Vontade move o processo inicial do conhecimento. Ela é nosso elo de ligação com o mundo. A Vontade é a ferramenta que o caçador utiliza para reverter quadros desfavoráveis. Mesmo que a situação esteja sinistra e todos estiverem dizendo NÃO, o caçador imbuído de Vontade prende até vento em sua rede. Quando um homem resolve fazer alguma coisa, tem que ir até o fim. Tem que assumir a responsabilidade daquilo que faz, e depois prosseguir com seus atos sem vacilação ou arrependimentos. Uma onça pode chegar ao lado de um caçador e cheirar o seu rosto, mas, se ele permanecer imóvel e inabalável, a onça vai embora.
Pior do que a fome é a audácia da barriga cheia. A ignorância produz atrevimento. A Paciência carrega a reflexão, local onde brota a sabedoria, dádiva que o Tempo concede aos mortais. A reflexão constrói artimanhas e armadilhas. A Paciência permite ao caçador observar a caça e alertar o corpo para o momento exato de executar o bote. A Paciência nos demonstra como levar uma vida de um modo mais estratégico, porque somente ela reflete uma ampla visão da situação.
Um caçador deixa muito pouca coisa ao acaso, ele tem que gastar tempo observando onde sua presa se alimenta e faz seu ninho, para saber onde localizar sua armadilha. Ele confia na sua estratégia, sabe que atrairá a caça várias vezes na sua armadilha de modo que não se preocupa. A Paciência logo nos dá clareza para perceber que o universo não tem preferências e que todas as coisas são iguais e sendo iguais nenhuma é melhor ou pior do que a outra, assim todas as coisas são sem importância. Quão estranho e lógico são as leis que regem o universo, ele não se explica só complica, então, quanto mais falamos do Universo, menos o compreendemos. Melhor deixar nossa pretensão de lado, deixar de tentar entendê-lo e percebê-lo em silêncio. Um caçador sabe de muita coisa. È uma pessoa que vê o mundo de diversas maneiras. É preciso estar em perfeito equilíbrio com o ambiente que o cerca, porque senão a caçada se torna uma tarefa sem sentido.
Só sobreviveremos num mundo onde só existam caça e caçador, se assumirmos a postura de um caçador. O destino da caça é morrer enforcada pela sua rotina. A arte do caçador é ser inabalável e leve. Ser leve significa que ele toca moderadamente o mundo que o cerca. Usa o seu mundo com respeito e ternura. Não está faminto, nem desesperado, que pensa que nunca mais vai comer na vida e então chupa todos os frutos da árvore. O caçador chupa alguns cajus, não a árvore inteira, toca o mundo de leve, fica o tempo que precisa e depois passa adiante rapidamente, quase sem deixar marcas. O caçador é livre para fazer da ocasião a alma de todas as suas ações. Solto de posses e programações prévias, ele circula leve como a brisa sobre as amarras do cotidiano que deixam a caça imobilizada no Presente e com o Futuro marcado.
Enquanto a caça se mantiver resignada, escolhendo sempre o mesmo caminho para beber água e o caçador tiver a alma aberta para conhecer novos atalhos aprendidos com a reflexão que brota da Paciência e com seus atos embriagados de Vontade; nascerão e morrerão constelações de estrelas, gerações de Eternidades passarão e a luta, entre caça e caçador, permanecerá incessantemente desigual.
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